Tiago Petinga / LUSA

O presidente do Chega, André Ventura

Líder do Chega acha que as circunstâncias do incêndio em Évora “não foram normais”. Deixou recados a Seguro e ao Governo.

André Ventura foi a Évora nesta segunda-feira com uma prioridade: visitar a sede regional do partido, que ficou destruída com um incêndio.

O incêndio ocorreu na semana passada, na quarta-feira. Não houve feridos. Fonte ligada à PSP de Évora garantiu à RTP que não há indícios de fogo posto, mas Ventura não está convencido.

“As circunstâncias não foram normais”, comentou o líder do Chega durante a visita, enquanto anunciava que o partido já apresentou queixa-crime.

O Chega suspeita do caso porque, horas antes deste incêndio, houve outro incêndio, pequeno, no quadro eléctrico geral do prédio onde está a sede.

Os bombeiros resolveram, o incêndio foi controlado sem atingir as instalações do Chega, e foi cortada a luz a todo o prédio.

Mais de duas horas depois, o incêndio na sede do partido: “Mais dúvidas se adensam, uma vez que, foi exclusivamente na sede do Chega. Nem no rés-do-chão nem no 2.º andar do edifício; foi exclusivamente no 1.º andar, que é o espaço da sede do Chega”, contou César Silva, presidente da distrital do Chega em Évora, em declarações ao Correio da Manhã.

Recado para Seguro

André Ventura acha que o presidente da República António José Seguro já deveria ter dito ao primeiro-ministro Luís Montenegro que o ministro da Administração Interna deveria sair do Governo.

“Cada presidente da República tem o seu estilo. Se eu tivesse sido eleito, já teria dito ao primeiro-ministro que este ministro tem de sair. Isso é clarinho”, afirmou o deputado, abordando o caso Luís Neves.

“Suspeito que Marcelo Rebelo de Sousa já o tivesse feito, se fosse Presidente da República”, acrescentou.

Recado para Governo

Ainda sobre o mesmo assunto, André Ventura disse que Luís Montenegro, “se por qualquer motivo que eu desconheço, está comprometido, se tem algum grau de cumplicidade e não tem mão da autoridade sobre o ministro Luís Neves, então não tem autoridade sobre o país”.

Para o líder o Chega, “isto é mesmo uma questão central de democracia, não tem nada a ver sequer já com partidarite; é uma questão de decência democrática”.

O grupo parlamentar do Chega vai pedir a presença do ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, na Assembleia da República.

O assunto será a taxa de 710 milhões de euros cobrada nos combustíveis. O Ministério das Finanças assegura que não há qualquer taxa ilegal, mas Ventura chama “roubo” a esta situação, que classificou como “inaceitável”.

“Chega…para lá”

A visita à sede do partido transformou-se numa espécie de arruada em Évora.

A certa altura da pequena caminhada, André Ventura e a sua comitiva cruzaram-se com duas brasileiras à porta de uma loja.

Pelo que dá para perceber das reportagens televisivas, estavam a falar sobre criminosos que prometem a nacionalidade a imigrantes, mas depois não cumprem.

“Esse é o problema: fraudes e tráfico de documentos”, comentou Ventura.

Uma das mulheres brasileiras lembrou: “Já apanharam (criminosos). Foi a Polícia Civil no Brasil”.

André Ventura reagiu, com sorrisos: “Você é do Chega, quase, praticamente” – uma frase que soltou reacções: “Não, não sou não”, disse uma, enquanto a outra completou: “Chega, mas é chega para lá”.

André Ventura finalizou: “É a democracia. É assim mesmo”. Virou costas e continuou a caminhar.


Nuno Teixeira da Silva, ZAP //