A ministra não detalhou as alegações, mas explicou que a investigação envolveu dezenas de milhares de documentos, alguns dos quais tiveram de ser recuperados através de ferramentas digitais “após tentativas infrutíferas de os apagar”.

As conclusões levantam ainda questões “sobre a responsabilidade da anterior direção do ministério”, acrescentou Anita Orbán, que não tem relação de parentesco com o antigo primeiro-ministro Viktor Orbán.

Um comunicado divulgado no portal do Governo húngaro apontou outras suspeitas de irregularidades relacionadas com a aquisição dos ventiladores, incluindo o facto de a maioria dos aparelhos ter sido comprada através de empresas intermediárias cujas receitas aumentaram exponencialmente graças à operação.

Alguns dos ventiladores apresentavam defeitos e uma parte significativa nunca chegou a ser utilizada, segundo o comunicado, que acrescentou que os custos de armazenamento dos equipamentos não utilizados ascenderam a vários milhões de euros.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, cultivou relações estreitas com a China durante os quase 12 anos em que ocupou o cargo e supervisionou tanto a compra dos ventiladores como a aquisição de cinco milhões de doses da vacina contra a Covid-19 produzida pela farmacêutica chinesa Sinopharm.

Em julho, Szijjártó renunciou ao mandato de deputado para assumir um cargo executivo na fabricante chinesa de automóveis BYD, uma decisão que suscitou acusações de conflito de interesses devido ao papel que desempenhou, enquanto governante, na atribuição de importantes subsídios públicos à empresa.

O Governo húngaro abriu posteriormente uma investigação aos investimentos realizados pela BYD no país durante o mandato de Szijjártó.