Um homem de 26 anos suspeito de violência doméstica contra o pai, de 62, foi esta terça-feira atingido a tiro numa perna por um agente da PSP, na Amadora, distrito de Lisboa, encontrando-se atualmente no hospital com um ferimento ligeiro.
O Comando Metropolitano de Lisboa (Cometlis) da Polícia de Segurança Pública (PSP) informou que um homem de 62 anos se deslocou à esquadra para denunciar o filho por violência doméstica, tendo os agentes da Divisão Policial da Amadora acompanhado a vítima à sua casa, para identificar o suspeito.
“Os polícias acompanharam o ofendido à sua habitação e à chegada à mesma foram logo recebidos com bastante hostilidade e violência pelo suspeito, pelo que tiveram de proceder à sua detenção. Quando tentavam efetivar a detenção, o suspeito conseguiu fugir por uma janela da habitação e, imediatamente, começou a arremessar bastantes pedras na direção dos polícias”, relatou o subintendente da PSP.
A meio da fuga, de acordo com a PSP, o suspeito ameaçou a patrulha com uma pedra na mão, pelo que “os polícias debitaram várias vezes ordens para que o mesmo largasse aquela pedra, tendo inclusivamente efetuado alguns disparos de advertência para o ar”.
Apesar da advertência, o jovem “não obedeceu e, quando se preparava para arremessar a pedra que tinha na sua mão, um dos polícias efetuou um disparo na direção da parte inferior da sua perna direita, vindo a atingir o suspeito”, indicou Adriano Magalhães.
Ainda assim, o suspeito conseguiu arremessar a pedra, sem provocar ferimentos nos agentes da PSP, mas conseguiu continuar a sua fuga, “vindo a ser intercetado algumas centenas de metros mais adiante”, acabando por ser detido.
O jovem, que sofreu ferimentos ligeiros e recebeu assistência médica no local, foi encaminhado para o hospital Amadora-Sintra e encontra-se estável, aguardando alta médica para ser presente a primeiro interrogatório judicial para aplicação das medidas de coação, segundo a PSP.
O subintendente Adriano Magalhães reforçou que “o disparo que atingiu o suspeito foi apenas um”, insistindo que “os polícias utilizaram a arma de fogo de forma passiva, no sentido de tentar cessar com a fuga e a conduta do suspeito”.
“Tendo em conta estes dados de que dispomos e os relatos que foram feitos pelos polícias no local, as circunstâncias em si poderão enquadrar-se numa situação de legítima defesa, uma vez que esta última ameaça do suspeito para com os polícias foi efetuada a uma curta distância e poderia provocar ou colocar em causa a integridade física dos polícias”, frisou o subintendente da PSP.
Em relação ao homem que sofria de violência doméstica por parte do filho, a PSP informou que a vítima não foi agredida esta terça-feira, mas foi ameaçada contra a sua integridade física e vida, tendo comunicado que “era uma situação que já se vinha a repetir durante alguns dias”.
“Este pai e filho já haviam partilhado a mesma casa, de momento o pai não queria coabitar com o filho e o mesmo forçava a sua entrada na habitação recorrentemente”, adiantou o subintendente, revelando que o jovem viveria no passado na dependência económica do pai, que “era a única pessoa que trabalhava naquela habitação”, tentando o filho, “no fundo, continuar este estilo de vida”.
A intervenção da PSP, com recurso a arma de fogo, ocorreu num “local bastante isolado”, na Amadora, tendo como testemunhas apenas as pessoas que estiveram diretamente envolvidas na situação, a vítima, o suspeito e os três polícias, acrescentou Adriano Magalhães.
“No local ainda estão a ser feitas diligências, nomeadamente pela Polícia Judiciária, no que respeita ao inquérito de crime”, afirmou o subintendente Adriano Magalhães, em declarações aos jornalistas junto à sede da Divisão Policial da Amadora.
O subintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP) reforçou que “irá ser aberto um inquérito para apurar em concreto as circunstâncias sobre as quais decorreu esta situação”, salientando que o recurso a arma de fogo por parte dos agentes da PSP, uma patrulha de três elementos, foi em caso de absoluta necessidade.
Ainda antes da denúncia, na segunda-feira, a PSP foi acionada para a habitação onde decorreu o crime, mas à chegada ao local o suspeito de violência doméstica já não se encontrava na casa.
Na sequência da formalização da queixa esta terça-feira de manhã na esquadra, a vítima informou os polícias que o filho estava na habitação e que “continuava com um comportamento bastante hostil”, referiu o subintendente Adriano Magalhães.
A nota do Cometlis refere ainda que este era o segundo dia consecutivo em que se deslocavam à casa da vítima.
A PSP marcou uma conferência de imprensa esta terça-feira às 16h para prestar mais informações sobre o caso, na sede da Divisão Policial da Amadora.