Hoje, faz precisamente 38 anos, o país ficou em choque com a morte de Carlos Paião, aos 30 anos de idade, num violento acidente de viação em Rio Maior. Nas redes sociais, Paião é hoje lembrado num dos momentos altos da sua carreira, quando a 7 de março de 1981 venceu o Festival Nacional da Canção com o tema ‘Playback, uma sátira bem-humorada sobre os cantores que usam e abusavam dessa técnica em palco e nas televisões.


O artista conquistou a vitória na 18.ª edição do certame, realizada no Teatro Maria Matos, em Lisboa, com uma votação esmagadora (210 votos), e a vitória garantiu-lhe o direito de representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção desse mesmo ano, em Dublin, na Irlanda. Sete anos depois, um dos mais promissores letristas da sua geração, que até aos 30 anos deixou mais de 300 temas compostos, e muitos que ainda nem viram a luz do dia, mas que foram descobertos aquando da pesquisa para a realização do filme sobre a sua vida e obra, perdeu a vida de forma trágica.


A MORTE SÚBITA E TRÁGICA DO HIPERATIVO GÉNIO MUSICAL


A viúva, a médica Zaida Cardoso, com quem partilhou vida de casado durante sete anos, e muitos sonhos que se perderam a 26 de agosto de 1988, reconhece ter dele a melhor das memórias: “Tive o privilégio de me sentir profundamente amada, como todas as mulheres se deviam sentir um dia. Essa recordação tenho-a para todo o sempre”. É por tudo isto junto que não se recusa a homenagear, sempre que lhe pedem, o amor da sua vida. Na mesma entrevista ao ‘Casa Feliz’, na SIC, aceitou recordar o dia em que o marido partiu, durante uma viagem que tinha como destino um concerto das festas de São Genésio, em Penalva do Castelo, na Beira Alta.


“Naquele dia o Carlos tinha saído de casa umas horas antes, sempre com as habituais brincadeiras dele. Despedimo-nos da maneira habitual, ele sempre com as festinhas e as palmadinhas dele. Foi buscar os técnicos de som e de luzes e eu fui trabalhar”, recorda Zaida Cardoso, que, sem saber, estava a poucas horas de receber a notícia do “pior dia da minha vida”. “Quando o meu pai me telefona a dizer que o Carlos tinha tido um acidente grave e que estava em estado grave, não me quis dizer logo o que tinha acontecido. Só quando cheguei a casa dos meus pais é que soube exatamente o que se tinha passado e que o Carlos tinha falecido. Todos os sonhos que queríamos concretizar acabaram num segundo”, remata.


Carlos Paião viajava em direção ao Norte do País quando a viatura em que seguia colidiu violentamente de frente com um camião na Estrada Nacional 1, nas imediações da povoação de Amieira, Rio Maior. O embate provocou a morte imediata de Carlos Paião e do técnico de som Carlos Miguel Sousa. Um terceiro ocupante do veículo, também técnico, Jorge Esteves, sobreviveu ao desastre. Agora, não só Zaida, a família e amigos estavam de luto pelo desaparecimento do músico e compositor, mas um País inteiro ficou em choque com o desaparecimento tão precoce do génio musical.


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