Mais de três anos depois do desaparecimento de Émile, o mistério mantém-se. Mas há agora dois documentos que estão a despertar especial atenção dos investigadores. É certo que desde que o menino desapareceu, em julho de 2023, chegaram várias cartas anónimas à família e às autoridades. A maioria não trouxe informações que permitissem avançar de forma significativa na investigação. Mas duas delas, no entanto, estão agora a ser analisadas com particular atenção pelas autoridades francesas.


A informação foi avançada pelo jornal francês ‘La Provence’. De acordo com o diário, as cartas terão elementos considerados suficientemente precisos para levantar dúvidas sobre aquilo que o autor poderá saber. Os investigadores estarão, por isso, a tentar perceber a origem dessas informações e se podem ter alguma utilidade para o caso.


As impressões recolhidas nas cartas estão a ser comparadas com os dados obtidos numa operação realizada este ano. Na primavera, as autoridades recolheram ADN e impressões digitais de 106 pessoas que estiveram no Haut-Vernet no dia do desaparecimento de Émile, entre habitantes da zona, visitantes, caminhantes e outras pessoas que foram identificadas através de dados de localização. Os resultados laboratoriais ficaram concluídos em julho. Até ao momento não foi ainda divulgada qualquer correspondência.


A investigação tenta, assim, perceber se estas duas cartas podem acrescentar alguma coisa ao que já se sabe sobre a morte do menino. Émile tinha dois anos e meio quando desapareceu, a 8 de julho de 2023, enquanto estava na casa dos avós maternos, no Haut-Vernet. As buscas começaram imediatamente e envolveram um grande dispositivo policial, mas não conseguiram encontrar a criança.


Foram necessários quase oito meses até surgir a primeira resposta. A 30 de março de 2024, uma caminhante encontrou restos mortais numa zona próxima da aldeia. As análises confirmaram que pertenciam a Émile. A descoberta não resolveu, contudo, o principal mistério: o que aconteceu ao menino depois de desaparecer?


As circunstâncias da morte continuam sem estar esclarecidas e nenhuma pessoa foi, até ao momento, formalmente acusada. A investigação admite a possibilidade de intervenção de terceiros, mas não foi determinado quem esteve envolvido nem como Émile acabou por chegar ao local onde os seus restos foram encontrados.


É neste ponto que as duas cartas podem ganhar importância. Se os autores tiverem realmente acesso a informações que não eram conhecidas publicamente, os investigadores terão de perceber de onde vieram e, sobretudo, se podem ser confirmadas através de outros elementos do processo. Por enquanto, pouco mais se sabe sobre o conteúdo das missivas ou sobre quem as escreveu.


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