Depois de anos queimando bilhões de dólares para conquistar assinantes e tentar alcançar a Netflix, os grandes serviços de streaming finalmente começam a transformar audiência em lucro. Um novo levantamento aponta que todas as plataformas acompanhadas pela consultoria já operam no azul. A distância para a líder do mercado, porém, continua aumentando.

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Segundo o relatório Fan service: Streamers and studios tracker H2 2026, divulgado nesta semana pela Enders Analysis, a Netflix trabalha atualmente com margem operacional de 33%. Entre as concorrentes, nenhuma chega aos dois dígitos: todas permanecem com margens abaixo de 10%. O levantamento é de uma das casas independentes de pesquisa mais tradicionais do mercado britânico de mídia e refere-se ao mercado global.

Os números mais recentes da Netflix ajudam a dimensionar esse abismo. No segundo trimestre, a companhia faturou US$ 12,6 bilhões, crescimento de 13% em um ano, e registrou lucro operacional de US$ 4,2 bilhões, avanço de 11%. A publicidade também ganhou peso e deve dobrar de tamanho neste ano, para cerca de US$ 3 bilhões em receita.

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Netflix começou no vermelho

A própria Netflix também levou anos para conseguir fechar as contas no azul. Fundada em 1997 e em operação desde abril de 1998, a companhia registrou seu primeiro trimestre lucrativo apenas entre abril e junho de 2003. Na ocasião, teve lucro líquido de US$ 3,3 milhões sobre uma receita de US$ 63,2 milhões.

O negócio, porém, era completamente diferente do atual. A Netflix ainda funcionava como um serviço de aluguel de DVDs enviados pelo correio. No acumulado de 2003, a empresa teve seu primeiro lucro anual: US$ 6,5 milhões, contra um prejuízo de US$ 20,9 milhões em 2002. A receita daquele ano chegou a US$ 272,2 milhões.O streaming só seria lançado em 2007 e teria seu primeiro resultado anual mundial positivo em 2013.

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A virada de todo o setor para o azul é recente. A Peacock, que tem operação majoritariamente americana, registrou seu primeiro lucro trimestral desde o lançamento, em 2020. O serviço da Comcast teve EBITDA positivo de US$ 189 milhões, uma melhora de US$ 290 milhões na comparação com o prejuízo de US$ 101 milhões do mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 1,9 bilhão e a plataforma encerrou junho com 48 milhões de assinantes pagos. Ela foi a última dos grandes conglomerados a ter lucro.

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O cenário é bastante diferente daquele observado no início desta década. Disney, Warner, Paramount e Comcast investiram pesadamente na construção de suas próprias plataformas, ao mesmo tempo em que retiraram produções de serviços concorrentes e aumentaram os gastos com conteúdo.

O último trimestre é a primeira vez em que todas aparecem simultaneamente lucrativas, mas isso ainda não significa que todas já tenham conseguido fechar um exercício anual no azul.

Afinal, quando elas tiveram lucro anual mundial pela primeira vez? Veja abaixo:

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Netflix: 2013
HBO Max: 2023
Disney+: 2024
Paramount+: 2025
Peacock: ainda não fechou um ano no lucro
Prime Video e Apple TV: não divulgam resultado individual