Coceira, vermelhidão, descamação, ressecamento. Os sintomas costumam ser parecidos e levam muita gente a chamar qualquer irritação na pele de “dermatite”. O termo, no entanto, não define uma única doença. Ele funciona como uma espécie de guarda-chuva para diferentes processos inflamatórios da pele, que podem ter causas distintas e, consequentemente, exigir cuidados e tratamentos específicos.

“Dermatite, pelo nome da palavra, é uma inflamação da pele. É um nome mais genérico para várias afecções que levam a lesões inflamatórias”, explica Carolina Haddad, dermatologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Já eczema é o termo usado para descrever um tipo de apresentação clínica dessas lesões, geralmente marcado por vermelhidão, coceira, descamação, crostas e, em alguns casos, espessamento da pele. Na prática, os dois termos muitas vezes acabam sendo usados como sinônimos.

É justamente a semelhança entre as lesões que pode confundir. Dermatite atópica, seborreica e de contato, por exemplo, podem provocar coceira, vermelhidão e descamação. A localização, a evolução do quadro e o histórico do paciente ajudam a diferenciá-las. “Informações básicas como quando começou, o que piora e se há uso de produtos novos também são fundamentais para o diagnóstico. As dermatites costumam ter padrões clínicos e localizações distintas”, afirma Luciane Botelho, dermatologista e integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo.

Coceira e vermelhidão estão entre os principais sintomas das dermatites Foto: KMPZZZ/Adobe Stock

O diagnóstico correto interfere diretamente no tratamento. “Não há um tratamento único para todas as diversas dermatites. É preciso levar em consideração a causa, o tipo de pele e quais lesões foram desencadeadas”, explica Nádia Aires, dermatologista do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília. Em alguns casos, podem ser necessários corticoides tópicos, imunomoduladores, antifúngicos ou até medicamentos sistêmicos; em outros, as principais medidas são identificar e afastar o agente que provoca a reação.

Veja abaixo os tipos principais de dermatites e entenda a diferença entre eles.

Dermatite atópica

É uma doença inflamatória crônica que costuma começar na infância, embora possa persistir ou surgir na vida adulta. A pele geralmente é muito seca, com coceira intensa e crises recorrentes. As lesões são frequentes nas dobras dos braços e atrás dos joelhos, além do pescoço e das mãos. Também pode haver associação com outras doenças atópicas, como rinite e asma.

O que é dermatite atópica?

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Doença é caracterizada por coceira intensa e hidratar a pele não basta para controlá-la. Crédito: Edição: Jefferson Perleber

A hidratação é parte fundamental do cuidado. “Manter uma barreira cutânea íntegra usando hidratante, que é uma medida muito básica e simples, já ajuda a evitar muitas dermatites”, afirma Carolina. Dependendo da gravidade da dermatite atópica, podem ser necessários medicamentos para controlar a inflamação.

Dermatite seborreica

Também é uma condição inflamatória crônica, marcada por períodos de melhora e piora. A diferença é que costuma atingir regiões mais oleosas, como couro cabeludo, sobrancelhas, cantos do nariz, orelhas e tórax. A caspa é sua manifestação mais leve.

A doença está relacionada a uma combinação de fatores, entre eles oleosidade, predisposição individual, resposta inflamatória e proliferação de um fungo do gênero Malassezia que vive naturalmente na pele. “Não é causada por falta de higiene nem é contagiosa”, ressalta Luciane.

Dermatite de contato irritativa

Nesse tipo de dermatite não existe alergia. A inflamação acontece porque determinada substância agride diretamente a barreira da pele, como detergentes, sabões, produtos de limpeza, solventes e até o contato frequente com água. As mãos são frequentemente atingidas, especialmente em pessoas que trabalham com limpeza, na cozinha ou na área da saúde. Uma característica importante é que a intensidade da reação depende da exposição. Quanto maior o contato com a substância irritante, maior a possibilidade de lesão. Na forma alérgica, o mecanismo é diferente.

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Dermatite de contato alérgica

Aqui há participação do sistema imunológico. A pessoa precisa ter sido sensibilizada anteriormente à substância e, depois disso, mesmo quantidades pequenas já podem provocar a reação. Entre os principais agentes estão o níquel presente em bijuterias, fragrâncias, conservantes de cosméticos, tinturas de cabelo, esmaltes e borracha.

“As lesões na pele costumam iniciar no local do contato, mas podem ir se disseminando para áreas sem contato caso o agente causador não seja afastado”, explica Nádia. Quando há suspeita desse tipo de dermatite, o teste de contato pode ajudar a identificar a substância responsável pela reação.

Dermatite por fotossensibilidade

É provocada pela combinação entre exposição à radiação ultravioleta e alguma substância capaz de tornar a pele mais sensível ao sol, como determinados medicamentos, produtos tópicos ou plantas. Pode provocar vermelhidão, inchaço, ardência e até bolhas, em uma reação semelhante a uma queimadura. “A ‘queimadura por limão’ é um exemplo dessa dermatite”, afirma Nádia.

As lesões tendem a aparecer justamente nas regiões expostas à luz e a proteção não deve depender apenas do filtro solar: evitar exposição nos horários de maior radiação, buscar sombra, usar roupas adequadas e chapéus de abas largas são medidas recomendadas.

Outros tipos e prevenção

Segundo as dermatologistas, há ainda outros tipos de dermatites menos comuns, como a dermatite de estase, relacionada à insuficiência venosa e às varizes; a perioral, que provoca lesões principalmente ao redor da boca, nariz e olhos; e a asteatósica, associada ao ressecamento intenso da pele e mais comum em idosos.

Independentemente do tipo e das diferenças entre elas, alguns cuidados ajudam a preservar a barreira da pele: evitar banhos muito quentes e demorados, usar produtos suaves, manter uma boa hidratação e conhecer os próprios gatilhos. E atenção: nunca tente resolver o problema por conta própria, pois usar um medicamento inadequado pode piorar a lesão, mascarar seus sinais e atrasar o diagnóstico correto. “O risco maior é tratar a doença errada e irritar ainda mais a pele”, conclui Luciane.