A Alva Rail está a desenvolver o Valverde Train, um comboio-hotel de luxo que promete recuperar carruagens históricas da Comboios de Portugal (CP) e levar os passageiros a descobrir Portugal ao ritmo do chamado slow travel. O investimento ronda os 21,6 milhões de euros, com 9,8 milhões garantidos por fundos europeus.
Portugal está prestes a juntar-se ao restrito grupo de países com um comboio de luxo próprio. O projeto chama-se Valverde Train e está a ser desenvolvido pela empresa Alva Rail, que quer criar uma experiência ferroviária inspirada em nomes históricos como o Orient Express e a Belmond, mas com forte identidade portuguesa.
A ideia passa por recuperar 11 antigas carruagens da CP, atualmente fora de serviço, fabricadas nos anos 70 pela Sorefame, a fabricante portuguesa responsável por boa parte do material circulante histórico da rede ferroviária nacional.
As carruagens vão ser totalmente restauradas e adaptadas, combinando o charme nostálgico das viagens de comboio de outros tempos com conforto contemporâneo.
Em 1977, a CP encomendou à antiga Sorefame a produção de 20 automotoras diesel para a rede de via larga. Formadas por duas carruagens e pela sua construção em aço inoxidável, a nova série CP 0600 estreou-se no serviço comercial, em 1979, nas linhas do Oeste e Douro. Fonte: CP, via Facebook
Onde entra o dinheiro europeu
Segundo informação partilhada, o investimento elegível do projeto ronda os 21,6 milhões de euros, dos quais cerca de 9,8 milhões vêm de financiamento europeu através do programa COMPETE 2030, o equivalente a metade do valor elegível. O restante fica a cargo da Alva Rail.
De acordo com a informação oficial associada ao Portugal 2030, o projeto tem início previsto para 31 de agosto de 2026 e conclusão marcada para 30 de agosto de 2029.
A experiência a bordo
O conceito do Valverde Train assenta no chamado slow travel: os passageiros vão poder pernoitar a bordo enquanto viajam por diferentes regiões do país, com gastronomia regional, vinhos portugueses e atividades ligadas às tradições locais a fazerem parte da experiência.
O objetivo é ir além dos destinos turísticos mais óbvios. As futuras rotas deverão privilegiar zonas de menor densidade populacional, menos exploradas pelo turismo tradicional, em parceria com entidades e negócios locais, uma aposta que a Alva Rail apresenta também como alternativa mais sustentável ao turismo de massas.
Esta fuga ao turismo de massas reflete-se também no aproveitamento de material ferroviário já existente, em vez de construir carruagens de raiz.
Em termos de impacto económico, a empresa estima a criação de cerca de 35 postos de trabalho diretos assim que o comboio estiver em pleno funcionamento, além de emprego indireto nas regiões por onde passar.
Apesar do investimento aprovado e do calendário definido, há ainda muitas perguntas em aberto. Não foram revelados os itinerários, as estações de paragem, os preços das viagens nem a data das primeiras viagens comerciais com passageiros.


