BYD

Nova vaga tecnológica chinesa ameaça empresas ocidentais: elétricos, chips, robótica industrial e componentes para centros de dados de IA.
A economia mundial está a entrar numa nova fase da competição comercial com a China. É essa a conclusão de Torsten Slok, economista-chefe da Apollo Global Management, que considera que o chamado “China Shock 2.0”, um segundo choque chinês, já chegou.
Ao contrário da primeira vaga, marcada pela entrada massiva de produtos baratos — como roupa, mobiliário e eletrónica —, a nova ofensiva chinesa concentra-se em sectores tecnológicos e industriais de maior valor acrescentado.
Os números ajudam a explicar a preocupação entre as empresas ocidentais, sobretudo nos EUA.
As exportações chinesas aumentaram 24% em julho, enquanto as exportações de produtos de alta tecnologia cresceram quase 41% entre janeiro e julho, face ao mesmo período do ano anterior.
As exportações de semicondutores, por sua vez, duplicaram. Veículos elétricos, chips, robótica industrial e componentes para centros de dados de inteligência artificial estão entre as áreas em que os fabricantes chineses ganham terreno.
A diferença fundamental em relação à primeira “China Shock” é que Pequim já não depende apenas de mão de obra barata ou de componentes importados, salienta o especialista na Fortune.
As empresas chinesas estão a dominar segmentos inteiros das cadeias de produção, incluindo os próprios componentes necessários para fabricar produtos avançados. Isso reduz a necessidade de importar bens industriais e aumenta o excedente que a China pode colocar nos mercados internacionais. É uma nova fase da integração comercial mundial.
O sector automóvel é um dos exemplos mais evidentes. A BYD ultrapassou a Tesla em 2025 como maior fabricante mundial de veículos elétricos, enquanto a indústria automóvel alemã enfrenta uma pressão crescente tanto na China como em mercados terceiros. A Volkswagen, em particular, vê fabricantes chineses aproximarem-se dos seus tradicionais mercados na América Latina, África e até na Europa.
Os EUA tentam proteger a indústria nacional através de tarifas e restrições comerciais. No entanto, estas medidas podem limitar a entrada de produtos chineses no mercado americano sem impedir que as empresas chinesas concorram diretamente com companhias ocidentais em outros países. Para especialistas citados pela Fortune, será necessário recorrer a instrumentos económicos mais amplos do que os direitos aduaneiros.