Pedro Hossi, que deu vida a Miro na novela «A Fazenda», está a atravessar um momento de profunda dor após a morte de Vitorino, companheiro da sua mãe e uma das figuras mais importantes da sua vida. O ator viajou para Luanda para se despedir daquele que considera ter sido, juntamente com o avô, um dos homens mais importantes da sua vida.

Nas redes sociais, Pedro Hossi partilhou várias fotografias, algumas delas relativas à sua infância, e recordou a relação especial que manteve com Vitorino ao longo dos anos.

«Daqui a pouco embarco para Luanda para me despedir do homem mais importante da minha vida, juntamente com o meu avô», escreveu o ator.

Vitorino entrou na vida de Pedro Hossi quando este tinha apenas 14 anos, altura em que começou uma relação com a sua mãe. Desde o primeiro momento, o ator e a irmã receberam-no com carinho e acabaram por construir uma relação muito próxima.

«Eu e a minha irmã recebemo-lo desde o primeiro instante com todo o amor e carinho deste mundo. E ele, rapidamente, fez muito mais do que entrar na nossa família, tornou-se parte de nós, foi pai sem nunca precisar de o anunciar», recordou.

Ao longo dos anos, Vitorino teve também uma influência importante nos gostos e interesses do ator. Foi através dele que Pedro descobriu a paixão pela literatura, que mais tarde acabou por aprofundar através da representação.

«Com o tempo e através dele, descobri o gosto pela literatura. Um gosto que a minha profissão de ator veio aprofundar», contou, destacando ainda as inúmeras conversas, os livros e o exemplo daquele que descreve como um homem para quem a leitura era essencial.

A música foi outra das paixões que partilharam. Vitorino apresentou-lhe diferentes géneros musicais, entre eles o jazz e o blues, despertando no ator uma nova forma de ouvir e conhecer música.

Pedro Hossi recordou ainda a forma como Vitorino encarava a política e o diálogo. «Era um animal político», descreveu, salientando a sua capacidade para respeitar opiniões diferentes e defender a importância da conversa.

As casas da família no Mussulo e na Maianga foram, segundo o ator, palco de muitos desses encontros, que reuniam pessoas com diferentes posições políticas à mesma mesa. Entre almoços prolongados, debates e gargalhadas, Vitorino transmitiu-lhe uma das lições que Pedro considera mais importantes: «É possível discordar sem deixar de reconhecer o outro».

Perante esta perda, o ator não esconde a dimensão da sua dor. «A dor que sinto neste momento não tem explicação», confessou.

«O país perde um estadista, a minha mãe perde o seu grande companheiro de vida e eu perco uma das pessoas que mais profundamente moldaram quem sou», acrescentou.

Pedro Hossi considera ainda que uma parte importante da sua identidade profissional nasceu da influência de Vitorino. «O Hossi que hoje carrego na minha vida profissional herdei-o dele, do Vitorino, e isso é também uma forma de o levar comigo para sempre», afirmou.

Na despedida, o ator deixou uma última e emotiva mensagem àquele que marcou profundamente a sua vida: «Obrigado, Vitorino. Por tudo, por tanto. O impacto que tiveste em mim foi estrondoso. E tenho a certeza de que sabias o quanto te amava. E o quanto te amo.»

Pedro pediu ainda a Vitorino que, quando chegasse «ao outro lado», desse «um abraço demorado» à irmã Ana e ao amigo Mines, que também já partiram.

«Vou sentir a tua falta até ao fim dos meus dias», concluiu.

As perdas que marcaram Pedro Hossi

Esta não é a primeira vez que Pedro Hossi enfrenta uma perda familiar dolorosa. Em outubro de 2005, o ator perdeu a irmã Ana, que tinha apenas 19 anos.

Anos mais tarde, durante uma conversa com Daniel Oliveira no programa «Alta Definição», da SIC, Pedro recordou esse período particularmente difícil da sua vida. Na mesma entrevista, revelou ainda que, cerca de um ano depois da morte da irmã, sofreu uma nova perda: o irmão morreu na sequência de um acidente de mota.