São Paulo soma 26 casos de sarampo confirmados em 2026. Os três registros mais recentes foram divulgados na quarta-feira, 26, e envolvem duas crianças menores de 1 ano, um menino e uma menina, e uma mulher na faixa dos 30 anos, todos moradores da capital paulista e sem histórico de vacinação.
Do total de casos, 23 foram registrados entre moradores da capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), dois são importados e os demais estão relacionados à importação, embora a fonte de infecção não tenha sido identificada. Dezenove pacientes não estavam vacinados ou tinham o esquema vacinal incompleto.
Imunização reduz o número de pessoas suscetíveis ao vírus do sarampo Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Apesar das novas confirmações, os registros não representam, até o momento, o surgimento de uma nova cadeia de transmissão. Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), os casos estão relacionados às cadeias que já vinham sendo acompanhadas pelas autoridades de saúde.
Quando é possível dizer que a transmissão foi interrompida?
De acordo com o infectologista, o controle da doença exige um trabalho contínuo, que envolve a manutenção de coberturas vacinais elevadas, especialmente por meio da imunização de rotina, além da identificação de casos, investigação de contatos e vigilância epidemiológica.
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Apesar de não ser possível antecipar quando ocorrerá a última infecção, há um critério para considerar a transmissão interrompida. Segundo Carla Domingues, epidemiologista e doutora em medicina tropical, é preciso completar 12 semanas desde o último caso confirmado sem que haja uma nova confirmação.
Aumento da cobertura vacinal é fundamental
A principal forma de impedir novas infecções é reduzir o número de pessoas suscetíveis ao vírus por meio da vacinação. Dados preliminares de 2026 apontam cobertura de 89,35% para a primeira dose da tríplice viral em São Paulo e de 74,64% para a segunda. A meta é de 95% para cada dose.
Como o sarampo é altamente transmissível, a velocidade com que a cobertura vacinal aumenta é determinante para o controle da doença. Segundo Carla, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para até 18 pessoas que não estejam devidamente imunizadas.
A epidemiologista chama atenção principalmente para crianças menores de 5 anos e adultos de até 30 anos. “Essa população não deve ter sido exposta ao sarampo e é a que apresenta maior risco de transmitir a doença”, diz.
Entre as estratégias para ampliar a cobertura vacinal, ela recomenda ações em creches, escolas e universidades, vacinação volante nos bairros mais atingidos e a ampliação dos horários de atendimento nos postos.
Quem deve se vacinar?
Atualmente, os 645 municípios do Estado de São Paulo participam da Campanha de Multivacinação, que disponibiliza 20 imunizantes previstos no Calendário Nacional de Vacinação, entre eles a vacina contra o sarampo. A iniciativa, voltada à atualização da caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos, segue até 1º de setembro.
O encerramento da campanha, no entanto, não significa o fim da vacinação contra o sarampo, que continua disponível na rede pública conforme as recomendações para cada faixa etária.
Na capital paulista, em Guarulhos e em São Bernardo do Campo, a imunização foi ampliada para pessoas de 6 meses a 59 anos, independentemente do histórico vacinal.
Bebês de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a chamada “dose zero”, uma proteção adicional diante do atual cenário epidemiológico. A aplicação não substitui as doses previstas no calendário de rotina.
“Só com a população devidamente vacinada é que se pode interromper a cadeia de transmissão que está ativa neste momento”, conclui Carla.