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Há relatos, desde há mais de um século, de visitantes do Parque Nacional de Yellowstone, nos EUA, que ouviram sons estranhos e fugazes, aparentemente concentrados sobretudo nas proximidades do Yellowstone Lake e do Shoshone Lake.
As descrições variam entre ruídos semelhantes ao zumbido de abelhas, “música” ou sinos distantes e sons comparados à vibração de fios ou cabos metálicos. Ao longo do tempo, foram propostas várias explicações naturais para o fenómeno, mas nenhuma foi demonstrada de forma conclusiva como a sua causa.
Segundo o The Debrief, os relatos históricos que descrevem este fenómeno acústico concentram-se sobretudo nas proximidades do Yellowstone Lake e do Shoshone Lake. Esta associação também é confirmada por Hiram Chittenden, que escreveu em 1895 que os sons eram conhecidos entre exploradores e tinham sido observados nas proximidades desses dois lagos.
De acordo com Lee Whittlesey, historiador reformado que trabalhou durante 16 anos no parque de Yellowstone, as descrições escritas dos sons estranhos do parque remontam pelo menos ao final do século XIX.
Entre os relatos mais antigos e detalhados encontra-se o livro de 1895 de Hiram Chittenden, intitulado “The Yellowstone National Park: Historical and Descriptive”. Chittenden descreveu o fenómeno como constituído por “sons estranhos e indefiníveis” aparentemente vindos do alto.
Segundo Chittenden, os sons pareciam ocorrer sobretudo de manhã, duravam apenas alguns instantes e apresentavam um movimento aparente através do ar, geralmente de norte para sul. Entre as comparações registadas estavam o som de fios telegráficos e o zumbido de um enxame de abelhas.
Um outro relato foi apresentado por Edwin Linton em 1892 e publicado posteriormente, em 1893, na revista Science. Linton descreveu uma combinação de sons semelhantes ao vento nas copas dos pinheiros, ao eco de sinos e ao zumbido de um enxame de abelhas.
Outro membro do grupo de Linton descreveu o fenómeno como “uma espécie de vibração sinuosa”, enquanto Elwood Hofer, o guia do grupo, terá considerado aquele o som mais misterioso que ouvira nas montanhas.
No ano seguinte, em 1893, o cientista Stephen Forbes publicou uma descrição semelhante. O som fazia-lhe lembrar o clangor de uma harpa tocada rapidamente, bem acima das copas das árvores, ou o ruído de vários fios telegráficos a oscilar ao vento. Em algumas ocasiões, também lhe pareceu semelhante ao murmúrio de “vozes ténues” que respondiam umas às outras no alto.
Forbes descreveu ainda uma evolução peculiar do fenómeno. O som começava ao longe, aumentava de intensidade à medida que se aproximava, produzia pulsações cada vez mais fortes e, depois, desaparecia gradualmente na direção oposta.
Em 1871, o geólogo Frank Bradley participou na expedição geológica Hayden, que explorou a região de Yellowstone. Durante os trabalhos de campo, Bradley relatou ter ouvido um som curioso situado entre um assobio e o relincho de um cavalo. Na altura, os membros da expedição chegaram a suspeitar que o som pudesse ser produzido por aves aquáticas do outro lado do lago.
Os sons há muito associados a Yellowstone podem, contudo, não ser exclusivos da região. Existem relatos de outros fenómenos acústicos naturais em diferentes partes do mundo. No caso de Yellowstone, porém, a combinação de relatos históricos, a aparente concentração junto aos grandes lagos e a natureza fugaz do fenómeno tornam o acontecimento numa das curiosidades mais persistentes da história do parque.
Apesar de terem sido expostas várias hipóteses, não existe uma explicação consensual que tenha sido demonstrada como responsável pelo fenómeno.