O que a ciência sabe sobre a relação entre vapes e câncer
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Novas evidências reforçam motivos para preocupação. Crédito: Edição: Jefferson Perleberg
Manter uma rotina de exercício físico traz uma série de benefícios à saúde, mas não é capaz de compensar os danos causados pelo cigarro em quem continua fumando. O alerta é do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e busca desfazer a ideia de que os exercícios poderiam reduzir os riscos associados ao tabagismo.
A mensagem é tema da campanha do Dia Nacional de Combate ao Fumo de 2026, intitulada “Atividade Física e Saúde: Treinar não Combina com Fumar”. Segundo o Inca, 477 pessoas morrem precocemente todos os dias no Brasil em decorrência de problemas provocados pelo tabagismo.
Manter uma rotina de atividade física não reduz os riscos à saúde associados ao tabagismo Foto: Auremar/ Adobe Stock
“Todos os ganhos serão perdidos por conta dos prejuízos que esses produtos derivados do tabaco trazem”, afirmou Vera Borges, psicóloga e especialista no tratamento do tabagismo da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Inca, durante o lançamento da campanha.
Isso não quer dizer que pessoas que fumam não se beneficiem da prática de exercícios. A atividade física continua sendo importante para a saúde, mas seus efeitos positivos não anulam aqueles provocados pelo cigarro. A nicotina, por exemplo, contrai os vasos sanguíneos e diminui o fluxo de sangue para músculos e órgãos. O tabagismo também reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio e provoca inflamação das vias aéreas.
Essas alterações podem, inclusive, afetar o desempenho durante os exercícios. “O que as evidências apontam é que, de fato, o tabagismo e o uso da nicotina nas suas diversas formas interferem na performance”, afirmou Fabio Fortunato Brasil de Carvalho, educador físico e chefe substituto da Divisão de Pesquisa Populacional do Inca.
Exercício pode ser aliado de quem deseja parar de fumar
Embora não neutralize os efeitos do cigarro enquanto o consumo é mantido, a atividade física pode ajudar justamente no processo de parar de fumar. Segundo o Inca, a prática favorece a liberação de substâncias associadas às sensações de prazer e bem-estar, o que pode contribuir para reduzir sintomas comuns da abstinência.
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Mesmo períodos curtos de atividades aeróbicas, como caminhada, corrida, dança ou natação, podem amenizar a vontade de fumar. A prática também contribui para a autoestima e a confiança durante o processo de cessação, além de oferecer uma alternativa para lidar com situações e emoções que antes eram associadas ao cigarro.
A campanha ainda chama atenção para o uso de dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs) e outros derivados do tabaco, principalmente entre os jovens. Segundo o Inca, esses produtos podem ser vistos como menos prejudiciais e sem impacto sobre o condicionamento físico. A iniciativa busca combater essa percepção, prevenir o início do consumo e incentivar a cessação do tabagismo.