Gagarin Cosmonaut Training Center/Andrey Shelepin and Irina Spektor / NASA

Também cosmonautas têm problemas em defecar no Espaço. Novo estudo pode ter descoberto o motivo. Com refluxos pelo meio.

Gravidade zero, alimentos desidratados, e ainda problemas gastrointestinais. Para astronautas e cosmonautas, é um problema ir à casa de banho, para defecar.

Agora, um estudo pode ter descoberto o motivo. Analisou perfis metabolómicos longitudinais, que revelam um aumento da fermentação de proteínas microbianas intestinais durante os voos espaciais.

Foram analisadas 52 amostras sanguíneas de astronautas e cosmonautas, durante e após as missões a bordo da Estação Espacial Internacional. Foi usada cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas. 40 dessas análises foram afetadas por voos.

As alterações metabólicas foram observadas logo após o lançamento e diminuíram poucos dias após a aterragem. Muitas das mudanças no intestino ocorrem assim que os astronautas entram num ambiente de microgravidade.

Ficam sem evacuar durante dias. O que, além de ser desagradável, origina problemas de saúde, alterações de humor e possíveis danos renais.

Quando se está longe da Terra, ou seja, sem a nossa gravidade habitual, o conteúdo do estômago não fica onde está, normalmente. Aí surgem os refluxos gastroesofágicos dos tripulantes de uma nave – mistura de ar, líquido e até partículas de comida.

As alterações metabólicas induzidas pelo voo refletiram o aumento da fermentação das proteínas pela microbiota intestinal, possivelmente devido ao prolongamento do tempo de trânsito intestinal provocado pela microgravidade.

O microbioma intestinal tem as principais bactérias responsáveis por começar a fermentar as proteínas no intestino; pode surgir prisão de ventre.

A fermentação proteica ocorre quando as bactérias intestinais começam a decompor proteínas em vez de fibras (as fibras da dieta já foram consumidas), explica a Revista Galileu.

Sem gravidade, os alimentos movem-se mais lentamente pelo intestino. Há também uma subida no ritmo de fermentação das proteínas.

“Observámos alterações nas amostras de sangue dos astronautas que indicam que as bactérias intestinais começam a fermentar proteínas – em maior grau do que o normal – poucas semanas após a chegada dos astronautas ao Espaço. Essa alteração continua até ao regresso à Terra”, contou a investigadora Giorgia La Barbera, no IFLScience.