A reunião deste mês inclui a divulgação de novos dados económicos e projeções atualizadas, que podem dar ao BCE a justificação para aumentar a taxa de juro. Álvaro Santos Pereira é um dos governadores que vão ter direito de voto, de acordo com a rotação habitual prevista no conselho do BCE.
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal. “Não somos um milagre económico”
Em meados de julho, numa entrevista ao Observador, o governador português afirmou que “existe um grau de incerteza muito grande, muita volatilidade — às vezes com mudanças que acontecem quase diariamente — em relação ao conflito do Médio Oriente.” “Por isso mesmo, aquilo que a presidente Lagarde disse — de mantermos a decisão reunião a reunião e de ser uma decisão dependente dos dados — mantém-se”, afirmou, então.
“O cenário parece cada vez mais propício a mais uma subida da taxa de juro“, refere o banco de investimento holandês ING, em nota de análise. “Isto deve-se não só ao facto de alguns membros do BCE terem defendido um aumento na reunião de julho, mas também porque, desde então, a economia da zona euro demonstrou uma resiliência quase inesperada à guerra no Médio Oriente, em parte devido à sorte e ao facto de os concorrentes asiáticos terem sido mais afetados pelo encerramento do Estreito de Ormuz e terem perdido encomendas para os concorrentes europeus, mas também devido aos estímulos orçamentais anunciados anteriormente”, acrescenta o banco.
O ING nota que, “ao mesmo tempo, a inflação geral continuou a subir”, “com os preços do petróleo a manterem-se elevados e o risco de um novo choque nos preços do gás a aumentar”. “A maioria dos membros do BCE irá, provavelmente, considerar justificável um novo aumento da taxa de juro – e recentes comentários de Isabel Schnabel à Bloomberg apontam nesse mesmo sentido”, conclui o banco holandês.
A poucos dias do final do mês de agosto, já é possível fazer uma aproximação daquela que poderá ser a média das Euribor para este mês. Essa média servirá para calcular as atualizações dos créditos que tenham em setembro a sua revisão periódica (revisão que pode acontecer de três em três, seis em seis ou 12 em 12 meses, conforme a taxa de cada família).
Com os dados até 27 de agosto, esta quinta-feira, num caso típico de um financiamento em que reste pagar 150 mil euros, com prazo a 30 anos e um spread de 1%, é possível antecipar que as prestações vão subir, independentemente do prazo da Euribor. Ainda assim, aqueles que têm Euribor a 12 meses vão sentir mais o impacto das subidas, caso vejam o seu crédito revisto em setembro.
- Média Euribor três meses de 2,506% – Prestação: 674,07 euros (+23,23 euros que na anterior revisão de junho de 2026)
- Média Euribor seis meses de 2,708% – Prestação: 691,10 euros (+46,99 euros que na anterior revisão de março de 2026)
- Média Euribor 12 meses de 2,950% – Prestação: 711,81 euros (+70,14 euros que na anterior revisão de setembro de 2025)
Estes valores das médias da Euribor não são, ainda, definitivos, porque ainda é necessário apurar a evolução das Euribor no dia 28, sexta-feira, e no dia 31, segunda-feira – só aí será possível calcular com maior rigor. Ainda assim, Nuno Rico, economista da Deco Proteste, salienta que já é seguro afirmar que “as médias da Euribor subiram, em relação ao mês anterior, em todas as maturidades, sendo a maior no caso da Euribor a 12 meses”.
Aliás, “a média da Euribor a 6 meses (a mais utilizada em Portugal) subiu 26% desde o início do conflito no Médio Oriente”, salienta o especialista, acrescentando que, “em termos de atualização da prestação, desde novembro de 2023 que não existia um aumento tão elevado, nesta maturidade”.
A média mensal da Euribor a 12 meses, que ainda não é possível calcular com toda a exatidão, deverá, ainda assim, atingir o valor mais elevado dos últimos dois anos. “Desde o início do conflito no Médio Oriente (nos últimos 6 meses) o encargo das famílias portuguesas com a prestação dos créditos à habitação já aumentou em cerca de 33 milhões de euros“, calcula o economista Nuno Rico, da Deco Proteste.
As taxas Euribor no prazo a 12 meses voltaram a superar a fasquia dos 3%. FONTE: TradingEconomics
No reverso da moeda, a subida da Euribor está a tornar mais atrativa a aplicação de poupanças em certificados de aforro (CA). A taxa base deste instrumento atingiu na quarta-feira o teto máximo de 2,5%, o que significa que esse é o valor que se aplicará às novas subscrições que forem feitas em setembro, e para as revisões de taxas que venham a ocorrer nesse mês.
Desde fevereiro de 2025 que a taxa base dos CA estava abaixo do teto máximo previsto na série em comercialização – a série F. Foram aplicados em julho 767,7 milhões de euros em CA, em termos líquidos (descontados das saídas, por vencimento da aplicação ou amortização antecipada), o valor mais alto desde que foi lançada a série F.
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