A presença de norovírus foi confirmada em casos de gastroenterite aguda na ilha de São Miguel, numa altura em que os Açores registam um aumento de episódios da doença e depois de um surto identificado no Faial ter levado centenas de pessoas aos serviços de urgência.
A confirmação foi feita pela Autoridade Regional de Saúde dos Açores, que analisou produtos biológicos recolhidos junto de pessoas afetadas. Segundo as autoridades, a identificação do vírus é compatível com o quadro clínico observado, marcado sobretudo por episódios de diarreia e vómitos.
Apesar do aumento de casos, a autoridade de saúde sublinha que a situação não constitui motivo para alarme. A maioria dos doentes apresenta sintomas ligeiros e recupera espontaneamente ao fim de alguns dias.
Mais de 400 pessoas procuraram as urgências no Faial
O alerta para o aumento de casos já tinha surgido no Faial, onde mais de 400 pessoas deram entrada nas urgências com sintomas de gastroenterite ao longo de cerca de um mês e meio.
Os dados foram divulgados pela RTP Açores a 13 de agosto, numa altura em que as autoridades de saúde acompanhavam a evolução do surto na ilha.
Segundo a Delegação de Saúde da Horta, o surto terá começado em meados de julho. A investigação epidemiológica apontou para a circulação de um vírus com elevada capacidade de transmissão, pertencente ao grupo dos norovírus, embora nessa fase ainda estivesse pendente a confirmação laboratorial.
A hipótese avançada pelas autoridades foi a de uma introdução associada ao aumento da circulação de pessoas durante o verão, seguida de transmissão entre pessoas em locais de convívio.
São Miguel também registou aumento de casos
A confirmação laboratorial surgiu agora em São Miguel, a maior ilha do arquipélago.
A Autoridade Regional de Saúde refere que a identificação do norovírus ocorreu na sequência do aumento de casos de gastroenterite aguda na ilha e da situação epidemiológica anteriormente observada no Faial.
A investigação, contudo, ainda não está encerrada. As autoridades continuam a procurar outros agentes que possam estar relacionados com os casos registados e a tentar identificar eventuais fatores comuns de exposição.
Também o Pico registou um aumento anormal de casos, levando ao reforço da vigilância epidemiológica nas ilhas envolvidas.
Não há, para já, ligação à água da rede pública
Uma das questões analisadas pelas autoridades prende-se com uma eventual relação entre os casos e a qualidade da água, mas até ao momento, não existe evidência que permita estabelecer uma ligação entre os episódios de gastroenterite e a água da rede pública de abastecimento.
“Neste momento, não existe evidência que permita associar os casos à água da rede pública de abastecimento. Mantém-se a articulação preventiva com as entidades gestoras dos sistemas de abastecimento de água e a monitorização rigorosa da qualidade da água e de outros potenciais fatores de exposição. A investigação epidemiológica e laboratorial prossegue, incluindo a pesquisa de outros agentes entéricos.”, pode ler-se no comunicado nas redes sociais.
O que é o norovírus?
O norovírus é um vírus altamente contagioso que pode provocar gastroenterite aguda.
A transmissão ocorre sobretudo através da via fecal-oral, mas também pode acontecer através do contacto com pessoas infetadas, superfícies contaminadas e, em determinadas circunstâncias, através de alimentos ou água contaminados.
Os sintomas mais frequentes são diarreia e vómitos, podendo também surgir outros sintomas gastrointestinais.
Autoridades reforçam medidas de prevenção
Perante a elevada capacidade de transmissão do vírus, as autoridades açorianas reforçaram as recomendações de higiene e prevenção.
Uma das principais medidas passa pela lavagem frequente das mãos com água e sabão, sobretudo depois de utilizar a casa de banho e antes de preparar ou consumir alimentos.
É igualmente recomendada a limpeza e desinfeção regular de superfícies de utilização frequente, como casas de banho, maçanetas, interruptores e telemóveis.
As pessoas que apresentem diarreia ou vómitos devem permanecer em casa para evitar a transmissão e não devem preparar alimentos para outras pessoas enquanto estiverem sintomáticas.
As autoridades recomendaram ainda medidas reforçadas de prevenção e controlo da infeção em estruturas residenciais para idosos, creches, estabelecimentos de ensino e outras instituições comunitárias, onde a transmissão pode ser particularmente rápida