O massacre de Srebrenica é, de resto, considerado a pior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial. Ao todo, a guerra da Bósnia deixou cerca de 100 mil mortos e 2,2 milhões de deslocados.

Ratko Mladic fugiu durante quase 16 anos antes de ser detido, em 2011, na Sérvia. Em 2017, o Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia condenou-o a prisão perpétua, sentença confirmada em recurso em 2021, tornando definitiva a condenação por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra. O “Carniceiro da Bósnia”, contudo, continuou a ser visto por setores nacionalistas sérvios como um herói e como símbolo da resistência sérvia durante a guerra.

Nos últimos meses, a Sérvia tinha pedido a libertação humanitária de Mladic, alegando o agravamento da sua condição física. Desde 2024, o antigo general encontrava-se internado numa unidade hospitalar psiquiátrica e, segundo os relatos divulgados, estava acamado há cerca de um ano e meio. As autoridades internacionais rejeitaram os pedidos de libertação, considerando que continuava a receber os cuidados médicos necessários, incluindo cuidados paliativos.

Agora, o governo sérvio resolve assinalar a morte de Mladic, um criminoso de guerra condenado em Haia por genocídio, com honras de Estado. “Esta morte é uma notícia triste para todos nós, para todo o povo sérvio”, afirmou o ministro Vujic à emissora pública da República Sérvia.