A derradeira sessão da semana nas bolsas norte-americanas fechou com recuos, depois de o Presidente da Reserva Federal (Fed), Kevin Warsh, ter dito que uma evolução na inflação dos Estados Unidos “melhor que o esperado” ainda não dá sinais de que as tendências subjacentes tenham “melhorado de forma significativa”. 


No seu primeiro discurso em Jackson Hole desde que assumiu o cargo, Kevin Warsh garantiu que não vai hesitar em agir caso não veja mudanças. “Temos de ter a certeza de que a inflação subjacente está a caminhar em direção ao nosso objetivo, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, teremos trabalho a fazer. É essa a nossa tarefa, o nosso mandato e a nossa responsabilidade”, afirmou, numa alusão à possibilidade de subir taxas de juro para atingir a meta de 2%.


Em reação às palavras de Warsh, os investidores impulsionaram acentuadamente os juros da dívida soberana dos EUA de curto prazo, aumentando as apostas num aumento das taxas de juros e estabilizando as obrigações de longo prazo.


Nesse contexto, o índice S&P500 desceu 0,25% para 7.711,76 pontos, o Dow Jones caiu 0,02% para 53.559,99 pontos e o Nasdaq Composite foi o mais castigado, recuando 0,52% para 26.402,42 pontos.


Em termos empresariais, destaca-se a PayPal, que resvalou mais de 12%, depois de a Stripe e a Advent International terem desistido de sua oferta de aquisição por 53 mil milhões de dólares (cerca de 46 mil milhões de euros).


Já nos semicondutores, a Marvell fechou o dia com um recuo de mais de 10%, apesar de ter apresentado resultados sólidos e elevado a sua previsão de receita para os anos fiscais de 2027 e 2028.


Em sentido contrário, a Gap cresceu cerca de 13%, depois de ter nomeado um veterano do retalho para liderar a Old Navy, enquanto o lucro superou as estimativas, compensando a queda nas vendas em toda a cadeia de valor e a previsão de vendas mais baixa.


“Diria que Warsh foi bem-sucedido a restabelecer a confiança”, disse Larry Holzenthaler, da Catalyst Funds. “Transmitiu a ideia de estar muito focado na inflação e em trazê-la de volta à meta de 2% da Fed. O mercado parece estar a reagir exatamente da forma que a Fed quer”, completou, citado pela Bloomberg.


“Acho que ele fez um trabalho muito bom a traçar um caminho, um enquadramento, um plano de ação e as regras do que vai seguir, sobre aquilo que está atento e o que vai guiar as suas decisões para calibrar a política monetária da melhor forma possível”, disse Peter Boockvar, autor do The Boock Report, segundo a mesma agência de notícias financeiras.