Rejane Faria estrela “Vicentina Pede Desculpas” (2026), filme escrito e dirigido por Gabriel Martins.Denise dos Santos / Netflix / Divulgação
A Netflix anunciou nesta quinta-feira (27) as datas de estreia de Vicentina Pede Desculpas, filme dirigido por Gabriel Martins e estrelado por Rejane Faria. O novo longa-metragem do autor de Marte Um (2022) entra em cartaz nos cinemas no dia 5 de novembro e chega à plataforma de streaming em 20 de novembro, com lançamento simultâneo em mais de 190 países.
Vicentina Pede Desculpas é o único título brasileiro selecionado para a 51ª edição do Festival de Toronto (TIFF), no Canadá, em setembro. Fará sua première internacional na mostra competitiva Plataforma. O vencedor da seção se qualifica para a disputa do Oscar de melhor filme internacional por via direta.
O longa também está na lista das 15 produções habilitadas para a seleção, pela Academia Brasileira de Cinema, do candidato nacional ao Oscar internacional. Em 9 de setembro, serão divulgados seis finalistas. A decisão sai no dia 16. Vicentina Pede Desculpas integra ainda a competição oficial do 74º Festival de San Sebastián, na Espanha, onde concorrerá pela Concha de Ouro, no final de setembro. No Brasil, vai participar da briga pelo troféu Redentor no 28º Festival do Rio, entre os dias 1º e 11 de outubro.
A sinopse divulgada diz o seguinte: “Numa manhã ensolarada em Belo Horizonte, um ônibus lotado segue para o centro da cidade. Ao cruzar um viaduto, o veículo desvia repentinamente, sai da pista e cai na avenida abaixo. Um passageiro fica gravemente ferido, e morrem todos os outros — incluindo Wesley, o motorista.
O desastre domina os noticiários de televisão e as manchetes dos jornais em todo o país. As câmeras de segurança do ônibus e da via registram o momento do acidente e, após a análise das imagens, começam a circular especulações de que o motorista poderia ter agido intencionalmente. Vicentina, uma professora aposentada de 75 anos e mãe de Wesley, fica devastada com a tragédia e sem saber como seguir em frente. Ela decide procurar as famílias das vítimas e pedir desculpas“.
Rejane Faria e Renato Novaes no filme “Vicentina Pede Desculpas”.Denise dos Santos / Netflix / Divulgação
Além de Rejane Faria — que trabalhou com Gabriel Martins em No Coração do Mundo (2019, codirigido por Maurílio Martins) e em Marte Um, na série Natal dos Silva (2025) e nos curtas Rapsódia para um Homem Negro (2015) e Nada (2017) —, o elenco inclui Flávio Bauraqui, Grace Passô, Karine Teles, Maíra Azevedo, Renato Novaes, Thalma de Freitas, Fábio Leal e Carlos Francisco. Como a diversidade de corpos é uma marca do cineasta, além da forte presença de atores negros Vicentina Pede Desculpas conta com uma mulher trans, Giovanna Heliodoro, e um homem com nanismo, Giovanni Venturini.
— Eu não vejo essa inclusão como algo político — diz Gabriel Martins. — Para mim, ela é a honestidade, a sinceridade, a verdade com o retrato da população brasileira. Esses corpos poderiam estar ali de forma leviana, como vimos muitas vezes no cinema. Mas nos nossos filmes a gente amplia a ideia de humanidade, os corpos não são colocados em cena para uma vitimização ou um julgamento. A imagem e a ideia de humanidade que a gente se acostumou a achar normal no cinema é uma mentira. Tudo que não é essa imagem do corpo branco cisgênero padrão parece ser um cinema marginal, mas na verdade é apenas o cinema que compõe o mundo.
Cena do filme “Vicentina Pede Desculpas”, de Gabriel Martins.Denise dos Santos / Netflix / Divulgação
Gabriel Martins assina a direção e o roteiro e divide a montagem de Vicentina Pede Desculpas com Thiago Ricarte. A fotografia é de Leonardo Feliciano, Rimmena Procópio fez o design de produção, e Diana Moreira, o figurino. Tiganá Santana compôs a trilha sonora, e os responsáveis pelo som são Tiago Bello (edição e mixagem) e Gustavo Fioravante (gravação).
A produção é da Filmes de Plástico, formada pelos diretores e roteiristas André Novais Oliveira, Gabriel Martins e Maurílio Martins e pelo produtor Thiago Macêdo Correia. Fundada em 2009, em Contagem (MG), e hoje baseada na capital mineira, a produtora já realizou 11 longas e 19 curtas, que já passaram por mais de 600 festivais e receberam mais de 80 prêmios. Marte Um, por exemplo, estreou no Festival de Sundance, nos EUA, ganhou quatro Kikitos em Gramado e arrebatou oito troféus no Grande Otelo, o prêmio da Academia Brasileira.
Segundo Thiago Macêdo Correia, a parceria com a Netflix promove um salto na história da Filmes de Plástico:
— Este foi um filme muito importante na trajetória da Filmes de Plástico, pois até então tínhamos feito filmes de muitíssimo baixo orçamento. A parceria com a Netflix nos permitiu explorar alguns pontos criativos e estruturais que ainda não havíamos conseguido, justamente por conta de certas limitações financeiras.
A protagonista pelos olhos do diretor
Rejane Faria em cena do filme “Vicentina Pede Desculpas”.Denise dos Santos / Netflix / Divulgação
Gabriel Martins descreveu assim sua nova colaboração com a atriz Rejane Faria:
— Do Marte Um para Vicentina Pede Desculpas, temos Rejanes completamente diferentes. Em Marte Um era a Rejane mais como ela é, mais viva, jovem. Quando comecei a pensar nesse filme, em 2015, ela ainda era muito nova para ser Vicentina. Mas o tempo passou e fiquei pensando como seria interessante dissecar e drenar a Rejane. Foi muito difícil chegar na caracterização e um desafio encontrar a Vicentina. Tinham dias que a Vicentina demorava a chegar. Às vezes a gente parava tudo, ela saía, escutava uma playlist dela e voltava. Acho que ela entregou para mim a atuação da vida dela, espero que as pessoas lembrem da Rejane pela Vicentina.
O diretor pelos olhos da protagonista
O cineasta Gabriel Martins no Festival de Gramado de 2022, quando “Marte Um” ganhou quatro Kikitos.Edison Vara,Agência Pressphoto / Divulgação
A atriz Rejane Faria comentou sobre o trabalho com Gabriel Martins:
— As pessoas se identificam com vários gêneros de filmes, mas tem uma coisa que nunca acaba: as questões existenciais. E elas pegam todo mundo porque todo mundo passa pelas mesmas dúvidas e certezas. Gabriel sabe trabalhar muito bem com essas questões. Ele tem a maestria de juntá-las e jogar para a gente. É um olhar muito particular, muito intimista e muito comprometido. E isso pega muito as pessoas.
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