
O presidente da Câmara de Berlim, Kai Wegner
Um ataque ransomware permitiu ao coletivo de hackers Rhysida obter dados da cidade de Berlim. Os hackers pedem 2 milhões de euros para não os divulgar. “Berlim não vai ceder à chantagem”, diz o presidente da câmara.
O presidente da Câmara de Berlim afirmou esta sexta-feira que a cidade está a ser alvo de chantagem depois do roubo de dados durante um ciberataque ocorrido há duas semanas.
Segundo o semanário alemão Der Spiegel, os autores da chantagem exigem 30 bitcoins, cerca de dois milhões de euros.
O jornal, que cita uma fonte da área da segurança, acrescenta que o grupo envolvido será o coletivo de hackers Rhysida.
Em 2023, o Rhysida reivindicou um ataque de ransomware contra a British Library. Exigiu o pagamento de 20 bitcoins, que na altura valiam cerca de 730 mil euros.
“Berlim é vítima de um crime grave”, afirmou Kai Wegner, presidente da Câmara da capital alemã, que é ao mesmo tempo uma cidade e um estado federado. “A exigência chegou ao início da noite de quinta-feira”.
“Berlim não vai ceder à chantagem“, acrescentou.
O ciberataque de 14 de agosto deixou vários serviços da cidade, sobretudo os ligados à habitação e ao ambiente, sem acesso à rede durante uma semana.
Durante vários dias, foi impossível apresentar pedidos de subsídios de habitação ou efetuar pagamentos.
As autoridades começaram por afirmar que não tinham sido roubados dados sensíveis. Na quarta-feira, admitiram que dados pessoais poderão ter sido afetados.
Segundo o Der Spiegel, o Rhysida ameaçou publicar os dados se não recebesse o dinheiro no prazo de uma semana.
Os serviços de segurança alemães estão a trabalhar intensamente para identificar e deter os responsáveis, afirmou Wegner, sem os nomear.
Está também a ser apurado que dados foram roubados.
No caso da British Library, a instituição recusou pagar o resgate e o Rhysida publicou na dark web cerca de 500 mil ficheiros com dados pessoais de visitantes, assinantes e funcionários.
Uma das vice-presidentes da Câmara de Berlim, Iris Spranger, afirmou que o ciberataque não afetou a realização das eleições na cidade-estado, marcadas para 20 de setembro.
“A votação está 100% segura”, acrescentou.