Estela Silva / LUSA

José Luís Carneiro
Ainda a composição do novo Instituto Progresso e as suas consequências para Carneiro e para Seguro.
O Instituto Progresso foi oficializado nesta semana. Um movimento liderado por Miguel Costa Matos, deputado do PS, que junta pessoas do PS, mas também do PSD ou do Livre.
Apresenta-se como um espaço que quer reunir progressistas do centro à esquerda. Um espaço suprapartidário, abrangente.
Alexandra Machado, ao mesmo tempo que duvida de que este movimento seja mesmo abrangente (tem muita gente ligada à ala mais à esquerda do PS), questiona o que o Instituto Progresso pode fazer a José Luís Carneiro.
O secretário-geral do PS não se sentiu ameaçado: disse que espera “ótimos contributos” e que está disponível para acolher as sugestões que vierem deste movimento.
“Mas há claramente concorrência interna no PS”, avisa Alexandra Machado.
“Para José Luís Carneiro, não vai ser pêra doce. E claramente acho que é um crescente de concorrência interna que se vai começar a notar numa altura eventualmente menos boa para José Luís Carneiro, que está a preparar o seu caminho para as eleições legislativas”, analisou a comentadora política.
Essas eleições, sejam quando forem, já estará na agenda de Carneiro, que estará a preparar-se; e este movimento vem numa altura em que o próprio José Luís Carneiro “está a lançar uns géneros de estados gerais, novamente do PS. E, portanto, José Luís Carneiro vai ter aqui um grupo que vai desafiar”.
No entanto, lá pelo meio dos 170 subscritores do Instituto Progresso, está Luís Soares.
Luís Soares é o chefe de gabinete de José Luís Carneiro: “O facto de Luís Soares estar neste movimento quase que é para ver o que se vai passar internamente”, disse Alexandra Machado.
“Está ali a funcionar como um espião infiltrado”, acrescentou Bruno Vieira Amaral.
António José Seguro
Também na rádio Observador, Helena Matos centrou-se em António José Seguro. O presidente da República, ao saber deste instituto, “deve ter-se sentido ligeiramente incomodado. Não sei se António José Seguro recebeu esta notícia da criação deste instituto com particular tranquilidade”.
“É um fator de pressão sobre António José Seguro. É uma espécie de movimento recorrente de lembrar a António José Seguro que ele veio da esquerda e que é de esquerda, e de uma determinada esquerda. Ao lembrar-lhe isso, penso que será algo que não o deixará extraordinariamente confortável”, considera Helena.
A comentadora política pergunta o que este Instituto Progresso quer mesmo: “Tem declarações no sentido de conseguir chegar a figuras de centro para direita ou do centro, mas por outro lado, o seu discurso, nomeadamente neste manifesto, é muito mais radical e muito mais deslocalizado. Não quero dizer radical, muito mais deslocalizado para a esquerda”.
“Quem é que sobra no meio disto tudo? O homem que conseguiu os votos de toda esta parte e que se chama António José Seguro”, avisa.
Helena Matos concorda que o Instituto Progresso pode ser incómodo para José Luís Carneiro, mas o secretário-geral do PS poderá “controlar” ou então “não se deixar apanhar nas intervenções que venha a ter”, mais facilmente do que António José Seguro: “Para o presidente da República, isso é muito mais difícil”.
Por isso, a pressão pode ser maior para Seguro: “Agora, o que pode começar a haver é uma espécie de pressão sobre Belém, porque António José Seguro não é apenas o homem que teve mais de 3,5 milhões de votos: é o homem que é de esquerda – e uma certa esquerda vai querer lembrar-lhe isso muitas vezes”.