A podridão do colo no feijão é uma doença de solo causada pelo fungo Sclerotium rolfsii e pode provocar morte rápida de plantas e falhas severas no estande, principalmente em condições de solo quente e úmido. O risco exige atenção especial entre fevereiro e maio em muitas regiões produtoras, com manejo integrado desde a escolha da área até o monitoramento da lavoura.
Segundo dados divulgados pela Embrapa em publicações técnicas sobre o manejo do feijoeiro, a podridão do colo é provocada por um fungo capaz de sobreviver por longos períodos no solo por meio de estruturas de resistência chamadas escleródios. O patógeno ataca principalmente a região do colo, na transição entre a raiz e a parte aérea da planta. A infecção também pode avançar para raízes e para a haste próxima ao solo.
O Sclerotium rolfsii é considerado um patógeno polífago, pois consegue se desenvolver em diferentes espécies vegetais de importância agrícola. Essa característica dificulta estratégias baseadas exclusivamente na rotação de culturas. Os escleródios permanecem viáveis mesmo na ausência do feijoeiro e representam uma importante fonte de inóculo para a safra seguinte.
O ciclo começa com a sobrevivência dos escleródios no solo ou em restos culturais. Em condições favoráveis de umidade e temperaturas em torno de 25 °C a 30 °C, essas estruturas germinam e produzem micélio. O micélio pode crescer sobre restos de culturas, plantas daninhas e matéria orgânica fresca. A partir desses materiais, o fungo alcança o colo das plantas de feijão.
Segundo dados divulgados pela Embrapa, a infecção ocorre principalmente na região de contato entre a planta e o solo, onde o patógeno penetra e degrada os tecidos. Com o avanço da doença, as plantas apresentam murcha, secam e podem morrer. Sobre os tecidos necrosados, novos escleródios são formados e retornam ao solo, reiniciando o ciclo.
A doença costuma aparecer inicialmente em reboleiras, com grupos de plantas apresentando murcha repentina. Outro sinal é o escurecimento e a podridão da região do colo. Dependendo das condições de umidade, os tecidos podem apresentar aspecto encharcado ou seco.
Em dias úmidos, pode ser observado micélio branco e denso, semelhante a algodão, na base das plantas e no solo próximo ao colo. Também podem surgir pequenos escleródios esféricos. Inicialmente brancos, eles se tornam amarelados ou acastanhados e podem ficar aderidos aos tecidos do colo ou sobre o solo. Com o comprometimento das raízes e da região basal, ocorre queda de folhas e morte completa da planta. Plantas mortas podem ser facilmente arrancadas devido aos danos provocados no sistema radicular.
Entre fevereiro e maio, muitas regiões produtoras apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento da doença, com temperaturas elevadas combinadas a chuvas frequentes ou uso intenso de irrigação.
O período também pode coincidir com a implantação ou o desenvolvimento do feijão de safra das águas tardia ou de safrinha, além de maior presença de restos culturais deixados pelas culturas anteriores, como soja e milho. O solo quente e úmido favorece a germinação dos escleródios e o crescimento do micélio de S. rolfsii. Por isso, lavouras conduzidas nesse período precisam de atenção desde o planejamento da área até o ajuste da irrigação e da densidade de plantas.
As perdas provocadas pela doença variam de acordo com a pressão de inóculo no solo, as condições ambientais e a suscetibilidade da cultivar. Em situações de alta infestação e clima favorável, a morte de plantas reduz o estande e provoca falhas na linha de plantio. A redução do número de plantas também prejudica o fechamento das entrelinhas e a interceptação de luz pela cultura. Quando a doença ocorre em estádios como florescimento e enchimento de grãos, a morte das plantas interfere diretamente na formação de vagens e na produtividade final.
Além disso, o produtor pode ter menor eficiência no uso de adubos, irrigação e produtos fitossanitários, já que parte das plantas deixa de completar o ciclo. Em áreas com histórico recorrente, o problema também pode elevar o custo de produção pela necessidade de mudanças no sistema de cultivo, manejo de resíduos, ajustes de irrigação e eventuais aplicações de fungicidas.
Segundo dados divulgados pela Embrapa em recomendações técnicas para a cultura do feijão, o histórico fitossanitário da área deve ser considerado antes da implantação da lavoura. Talhões com ocorrência frequente de podridão do colo ou de outras doenças de solo exigem maior atenção.A correção da acidez e da fertilidade deve ser feita com base em análise química. O objetivo é favorecer o desenvolvimento radicular e o vigor das plantas. Também é importante evitar áreas com encharcamento, drenagem deficiente ou compactação subsuperficial. Essas condições podem aumentar a permanência de água junto ao colo e favorecer a doença.
A rotação de culturas é uma das estratégias que podem integrar o manejo da podridão do colo. Quando possível, recomenda-se introduzir culturas menos suscetíveis ao S. rolfsii por mais de uma safra, contribuindo para reduzir o inóculo no solo ao longo do tempo. A prática, entretanto, precisa considerar a capacidade do fungo de infectar diferentes espécies vegetais.
Sucessões contínuas de culturas altamente suscetíveis, especialmente leguminosas, devem ser evitadas em áreas com histórico da doença. O controle de plantas daninhas também é importante, já que espécies hospedeiras podem servir como fonte de substrato para o fungo e contribuir para a manutenção da população de escleródios.
O manejo dos resíduos da cultura anterior também interfere no ambiente próximo às plantas. Em áreas com elevada incidência da doença, é recomendável evitar o acúmulo de restos culturais muito volumosos e mal distribuídos sobre a linha de plantio. A distribuição uniforme da palhada pode ser favorecida pelo ajuste das colhedoras utilizadas nas culturas antecessoras.
Outro ponto de atenção é a presença excessiva de matéria orgânica fresca em contato direto com a linha de semeadura, condição que pode favorecer o desenvolvimento do fungo. Segundo dados divulgados pela Embrapa, o histórico da palhada e das doenças da área deve ser considerado principalmente em sistemas de plantio direto.
O uso de sementes certificadas e com elevada qualidade fisiológica e sanitária contribui para uma emergência rápida e uniforme. O tratamento de sementes com fungicidas registrados para a cultura do feijão também pode integrar o manejo preventivo. A aplicação deve seguir rigorosamente as recomendações de rótulo e bula e o receituário agronômico. O objetivo é proteger as plântulas contra patógenos iniciais de solo e favorecer o estabelecimento da lavoura.
O manejo da água é outro ponto importante no controle da podridão do colo. Lâminas e intervalos de irrigação devem ser ajustados para evitar excesso de água no solo, principalmente durante períodos mais quentes. A aplicação de volumes muito elevados de uma única vez pode provocar saturação do solo próximo ao colo das plantas. Em determinadas situações, dividir a lâmina em aplicações menores pode ser mais adequado. A umidade pode ser acompanhada por tensiômetros, sensores ou avaliação manual criteriosa.O objetivo é evitar tanto o encharcamento quanto períodos prolongados de seca que levem à necessidade de uma irrigação pesada de correção.
O ajuste da população de plantas ajuda a evitar excesso de fechamento da entrelinha. Populações muito elevadas podem reduzir a circulação de ar e aumentar a umidade relativa próxima ao solo. Por isso, a densidade deve ser adequada à cultivar, à época de semeadura e às condições locais. A escolha de materiais adaptados à região e à época de plantio, com bom vigor inicial e sistema radicular bem desenvolvido, também faz parte do planejamento preventivo.
O uso de fungicidas deve ser avaliado a partir do histórico da área, do risco de ocorrência e do monitoramento dos sintomas. Segundo dados divulgados pela Embrapa em publicações técnicas sobre manejo integrado de doenças do feijoeiro, medidas químicas devem ser integradas a outras estratégias, e não utilizadas de forma isolada. Quando indicado tecnicamente, o controle pode envolver tratamentos de solo localizados na linha de plantio ou aplicações direcionadas à base das plantas.
A escolha do produto deve considerar apenas fungicidas registrados para a cultura do feijão e para o alvo, seguindo dose, época, intervalo de aplicação, número máximo de aplicações e demais recomendações previstas em bula. O receituário agronômico emitido por profissional habilitado deve ser respeitado.
Durante o período de fevereiro a maio, a inspeção da lavoura deve ser intensificada, especialmente em áreas com histórico da doença. As vistorias são importantes após períodos de chuvas intensas ou irrigações pesadas. Ao encontrar plantas suspeitas, o produtor pode verificar cuidadosamente a região do colo e o solo adjacente em busca de micélio branco e escleródios. A localização das reboleiras também deve ser registrada. Essas informações ajudam a acompanhar a evolução do problema e a planejar medidas de manejo para as próximas safras.
A podridão do colo no feijão exige uma estratégia combinada. Entre as principais medidas estão a escolha adequada da área, rotação de culturas, manejo de plantas daninhas, distribuição uniforme dos restos culturais e uso de sementes de qualidade. O ajuste da densidade de plantas e da irrigação também contribui para reduzir condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo. Em áreas com risco elevado, o monitoramento deve orientar eventuais intervenções químicas localizadas, sempre com acompanhamento técnico.
Medidas culturais complementares incluem evitar danos mecânicos ao colo provocados por operações de cultivo, capinas mal conduzidas ou trânsito de máquinas em solo muito úmido. Em reboleiras intensas, também pode ser avaliada a retirada de plantas altamente afetadas para reduzir a produção local de escleródios. A adoção dessa medida deve considerar o custo-benefício em cada situação.
A podridão do colo apresenta caráter cumulativo porque o patógeno consegue sobreviver no solo por meio dos escleródios. Por isso, as decisões tomadas em uma safra podem influenciar diretamente o risco de ocorrência nas seguintes.
Segundo dados divulgados pela Embrapa em materiais técnicos sobre manejo integrado de doenças do feijoeiro, o planejamento de longo prazo deve incluir escolha de áreas, rotação de culturas, manejo da umidade, resíduos e plantas daninhas. A estratégia é reduzir a quantidade de inóculo e evitar condições ambientais que favoreçam a infecção.
Antes e durante o cultivo, o produtor deve verificar o histórico da área e planejar a rotação com espécies menos suscetíveis. Também é necessário corrigir limitações de solo e drenagem, utilizar sementes de boa qualidade e realizar tratamento fungicida registrado quando indicado. A densidade de plantas deve ser ajustada para evitar excesso de fechamento do dossel, enquanto o manejo da irrigação precisa impedir o excesso de umidade junto ao colo.
Outro cuidado é distribuir adequadamente os restos culturais e manter o controle de plantas daninhas. Por fim, a lavoura deve ser monitorada regularmente para identificar reboleiras e decidir, com orientação técnica, se são necessárias intervenções químicas localizadas.
Toda decisão envolvendo fungicidas deve seguir receituário agronômico emitido por engenheiro agrônomo habilitado. O produtor deve respeitar rigorosamente as orientações de rótulo e bula, incluindo dose, época de aplicação, intervalo de segurança e tecnologias de aplicação. O uso de equipamentos de proteção individual é obrigatório durante o manuseio e a aplicação de produtos fitossanitários, conforme a legislação vigente.
Segundo dados divulgados pela Embrapa em publicações técnicas sobre o manejo da cultura, as medidas químicas devem fazer parte de uma estratégia integrada de controle, associadas às práticas culturais e ao monitoramento. A podridão do colo no feijão tem manejo complexo, mas a combinação de planejamento da área, rotação, controle de plantas daninhas, manejo de resíduos, qualidade das sementes, irrigação adequada e acompanhamento da lavoura pode reduzir os riscos e limitar os danos.