António Cotrim / Lusa

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas.
Braço de ferro entre autarca e Governo sobre polícias em Lisboa continua sem solução. Moedas diz que nada foi feito ainda, gabinete do ministro diz que já está a ser feito. (e deixa aviso).
O presidente da Câmara de Lisboa Carlos Moedas garantiu esta sexta-feira que “não está em guerra com o Governo”, mas mantém a pressão para que seja cumprida a promessa de reforçar o policiamento em Lisboa, mais de três meses depois do anúncio de Luís Montenegro, que prometeu 200 novos agentes da PSP à capital.
Esta semana, Moedas voltou a manifestar preocupação com a segurança na cidade, durante uma intervenção na Universidade de Verão do PSD.
“Eu não estou em guerra nem com o Governo, nem com nenhum ministro. A minha guerra é só uma”, procurou esclarecer o autarca: “É a segurança em Lisboa”.
“Alarmado”, o autarca tem vindo a aumentar a pressão sobre o Executivo nos últimos dias. Na terça-feira, defendeu que “chegou a hora” de concretizar a promessa feita pelo primeiro-ministro em maio: mais 200 agentes da PSP e 100 polícias municipais em Lisboa.
“Este Governo prometeu-me 200 polícias de segurança pública a mais em Lisboa, ainda não temos nenhum, prometeu 100 polícias municipais, também ainda não temos nenhum”, criticou Carlos Moedas, citado pela SIC Notícias.
Luís Montenegro anunciou a 12 de maio, depois de uma reunião com Carlos Moedas e com o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, que os comandos metropolitanos da PSP das duas cidades seriam reforçados com 200 agentes cada. Mais de três meses depois, nada foi feito.
O presidente da Câmara lisboeta já terá abordado o assunto com o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que, segundo o autarca, lhe garantiu que o processo iria avançar. Mas o ministério tem uma versão diferente dos factos. O gabinete de Luís Neves garantiu que o reforço em Lisboa “já está a ser concretizado” e avisou, em resposta emitida ao Observador, que o combate à insegurança não depende apenas do aumento do número de agentes.
Segundo o Ministério da Administração Interna, existe desde junho uma presença policial reforçada nas ruas de Lisboa, que incluiu a mobilização de elementos do Corpo de Intervenção para patrulhamento.
Segundo a SIC, o encontro mais recente entre Moedas e o diretor nacional da PSP terminou sem acordo sobre um novo reforço do policiamento.