
Instituições de solidariedade acusadas de cobranças exorbitantes que, por vezes, são consideradas válidas por bancos norte-americanos.
Os pagamentos contactless estão a ser usados num novo esquema de burla em que falsos representantes de instituições de solidariedade conseguem transformar pequenos donativos em cobranças de milhares de dólares.
O aviso de Kurt Knutsson, especialista em tecnologia responsável pelo CyberGuy Report, na Fox News, explica como os burlões abordam pessoas na rua, apresentam-se como representantes de ONGs e pedem donativos através de terminais de pagamento. A vítima pode aceitar contribuir com 20 dólares, por exemplo, mas o valor apresentado no terminal é alterado para 2000 dólares antes de o pagamento ser autorizado.
Recorde-se que, nos EUA, não há um limite geral e obrigatório para pagamentos contactless, como há por exemplo em Portugal.
O esquema denunciado por Knutsson aproveita-se da nova “moda” de pagar sem sequer olhar para o valor que foi marcado previamente por quem cobra.
Segundo o Giving Signals Report 2026, da Bloomerang, elaborado com a Harris Poll junto de mais de mil doadores norte-americanos e 400 responsáveis por angariação de fundos, 85% dos doadores ativos confiam que as organizações que apoiam utilizam corretamente o dinheiro recebido.
Mary Ann Miller, especialista em fraude e cibercrime da empresa de verificação de identidade Prove, alerta à Fortune que autenticar um pagamento não significa necessariamente que a operação seja legítima.
Os burlões procuram cada vez mais explorar comportamentos familiares e situações em que as pessoas já estão predispostas a confiar, em vez de tentarem contornar diretamente os sistemas de segurança.
Recuperar o dinheiro pode depois revelar-se difícil, diz Eva Velasquez, diretora executiva da organização Identity Theft Resource Center, que explica que, quando é o próprio titular do cartão a autorizar o pagamento, as instituições financeiras podem considerar que a operação foi válida. Os cartões de crédito oferecem normalmente maior possibilidade de contestar uma cobrança, mas métodos de pagamento instantâneo podem não garantir a mesma proteção.
Velasquez recomenda inverter a lógica dos donativos: em vez de contribuir para qualquer organização que aborde o consumidor na rua, deve ser o próprio doador a escolher previamente as instituições que pretende apoiar, verificar a sua legitimidade através de entidades independentes e fazer o donativo diretamente através dos canais oficiais.