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Inflação e mercado de trabalho pressionam famílias alemãs e ameaçam agravar sobre-endividamento.

O alerta é da Creditreform: a Alemanha enfrenta uma nova ameaça. Trata-se de um maior sobre-endividamento das famílias, impulsionado pela pressão sobre o custo de vida e pela fragilidade do mercado de trabalho.

A Creditreform é uma das principais empresas alemãs de informação financeira. Prevê um aumento significativo do número de consumidores que não vão conseguir cumprir regularmente as suas obrigações financeiras. Não vão conseguir pagar.

Patrik-Ludwig Hantzsch, responsável pela área de investigação económica da Creditreform, considera possível que o número de pessoas sobre-endividadas aumente de forma expressiva ainda neste ano, em 2026.

“Olhando para as altas pressões de custos e do fraco mercado de trabalho, acho que outro aumento significativo é possível”, reforçou, no Handelsblatt.

Segundo o especialista, a combinação entre custos elevados e um mercado de trabalho enfraquecido está a reduzir a margem financeira de muitas famílias, tornando-as mais vulneráveis a imprevistos e ao recurso ao crédito.

A evolução preocupa também o Governo alemão, nomeadamente o Ministério Federal da Proteção dos Consumidores.

Alimentos 37% mais caros

O alerta surge num contexto em que os preços dos bens essenciais continuam significativamente acima dos níveis registados antes da vaga inflacionista: desde 2020 os alimentos ficaram 37% mais caros desde 2020, mostra o Serviço Federal de Estatística.

O problema não se limita às famílias que já enfrentam dificuldades financeiras. A persistência de despesas elevadas pode levar mais famílias a recorrer à poupança ou ao crédito para pagar as despesas correntes.

Se, ao mesmo tempo, alguém do agregado perder o emprego ou ficar com menos rendimentos, o risco de incumprimento aumenta e pode originar processos de insolvência pessoal.