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Jeff Bezos, fundador da Amazon

Daqui a um mês, a Amazon encerra plataforma que antecipou o modelo de trabalho com humanos e IA. Agora a IA ultrapassou uma das “mães”.

É o fim do Amazon Mechanical Turk, uma plataforma de trabalho digital criada em 2005, há mais de 21 anos.

Não era uma ferramenta qualquer: durante mais de duas décadas permitiu às empresas recorrer a pessoas para executar tarefas simples que, na altura, os computadores tinham dificuldade em realizar.

A Amazon anunciou que o serviço será encerrado definitivamente daqui a um mês, a 30 de setembro; isto já depois de ter deixado de aceitar novos clientes em julho.

A decisão marca o fim de um dos projetos mais curiosos da história tecnológica da Amazon.

O nome Mechanical Turk foi inspirado num famoso autómato do século XVIII que parecia jogar xadrez de forma autónoma, mas que, na realidade, escondia uma pessoa responsável por controlar a máquina.

A lógica do serviço era semelhante: quando um computador não conseguia executar determinada tarefa, a plataforma encaminhava-a para um trabalhador humano.

Jeff Bezos, fundador da Amazon, chegou a descrever o conceito como “inteligência artificial artificial”, lembra a CNBC – era uma referência ao facto de o sistema utilizar pessoas para desempenhar funções que pareciam ser realizadas por máquinas.

Algumas das tarefas: transcrição de conteúdos, resposta a inquéritos, classificação de informação e, sobretudo, etiquetagem de dados (esta última viria a tornar-se importante para o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial).

Ou seja, o Mechanical Turk foi uma peça relevante na evolução inicial da inteligência artificial, ao fornecer mão de obra para organizar e classificar enormes volumes de informação. Agora, duas décadas depois, a tecnologia que dependia desses trabalhadores para parecer mais inteligente está progressivamente a conseguir desempenhar muitas dessas funções por si própria.

No seu auge, o Mechanical Turk chegou a envolver mais de 500 mil trabalhadores, distribuídos por vários países. Mas recebia-se pouco. Algumas tarefas pagavam apenas alguns cêntimos e, segundo relatos de utilizadores, o valor recebido por hora podia ficar abaixo dos dois dólares.

A evolução da inteligência artificial acabou, ironicamente, por contribuir para o declínio da plataforma. Os sistemas tecnológicos passaram a conseguir executar muitas das tarefas que aqui eram atribuídas a humanos.

A ferramenta deixou de ser tão útil – mas não deixa de ser visionária.