Está em andamento a batalha pelo Cinturão de Fortalezas da Ucrânia, a faixa crucial para garantir que Vladimir Putin não alcança o seu grande objetivo nesta guerra
Não é Bakhmut, não é Avdiivka, mas podia bem ser, até porque também fica na região de Donetsk. Em Druzhkivka veem-se carros queimados, edifícios totalmente danificados pelos combates e ruas desertas.
Esta cidade onde em 2025 ainda viviam cerca de 30 mil pessoas tem sido palco constante de drones a ir e a vir de um lado e do outro, com a Rússia a apenas 15 quilómetros de distância e a conseguir avançar na sua direção, ainda que a um ritmo lento.
São cenas de devastação que se repetem ao longo dos 1.200 quilómetros da linha da frente, agora concentrada no este e no sul da Ucrânia, com os combates a arrasarem localidades inteiras à medida que vão acontecendo.
“Não consigo dormir”, admite Iryna Litovchenko em declarações à agência Reuters, que esteve no local. Esta mulher de 56 anos é um dos poucos civis que ainda resistem a abandonar a sua localidade, mesmo que tenha ficado sem casa.
“A minha casa foi-se, como se nunca tivesse existido. Havia tantas coisas boas, tanto de tudo. Num ápice – boom – foi como se nada restasse”, descreve.
Não é de espantar que este seja um ponto nevrálgico da guerra neste momento, já que Druzhkivka fica no chamado “Cinturão de Fortalezas”, que congrega as grandes cidades que ainda resistem à Rússia na região de Donetsk.
São estas cidades que impedem Vladimir Putin de alcançar aquele que sempre foi o seu grande objetivo com a guerra: conquistar toda a zona do Donbass. E se Lugansk está totalmente nas mãos da Rússia, em Donetsk ainda faltam cair as grandes cidades de Sloviansk, Kramatorsk, Kostiantynivka e… Druzhkivka. Como a CNN Portugal escreveu há pouco tempo, o combate pelo que falta desta região já está em andamento.
Habituada ao barulho de armas como os howitzers, não é isso que assusta a população desta cidade, mas sim os zumbidos dos drones, armas com um alcance muito mais imprevisível.
E mesmo que quase toda a região esteja coberta com redes que ajudam a proteger as cidades dos veículos não-tripulados, é sempre uma incógnita o que vai acontecer. A batalha está mesmo em andamento.