BYD

A BYD está a pressionar as marcas alemãs no mercado dos híbridos plug-in. Os chineses ganham terreno com preços baixos e descontos elevados. O ministro do Ambiente alemão pediu este sábado “condições de concorrência justas”. Estará agora à vista uma nova guerra das tarifas?
Segundo o especialista do setor automóvel Ferdinand Dudenhöffer, a fabricante automóvel chinesa BYD está a intensificar a concorrência de preços nos híbridos plug-in na Alemanha.
“A BYD está a exercer uma dupla pressão sobre os preços. Por um lado, através de preços de tabela baixos e, por outro, através de maiores descontos”, escreve Dudenhöffer num estudo de mercado do instituto privado Center Automotive Research (CAR) citado pelo Die Zeit.
Dudenhöffer interpreta esta estratégia como uma importação da “guerra de preços da China”, onde, devido à fraca procura, se regista há algum tempo forte concorrência através de descontos.
A BYD terá vendido na China pouco mais de um milhão de veículos no primeiro semestre de 2026, uma quebra de 39,6. face ao ano anterior; no estrangeiro, foram vendidos 792 mil automóveis, um aumento de cerca de 71%
“As fracas vendas na China pesam e, ao mesmo tempo, a BYD escoa grandes volumes para exportação”, diz Dudenhöffer.
O fabricante já ocupa posições de topo nas novas matrículas de híbridos plug-in na Alemanha. Em julho, a BYD alcançou uma quota de mercado de 10,7% neste segmento, ficando em quarto lugar.
Em maio, o grupo chegou mesmo temporariamente ao primeiro lugar nas matrículas, à frente da VW, Audi, BMW e Mercedes-Benz.
Nos 15 híbridos plug-in mais vendidos, o desconto médio sobre o preço de tabela foi, em agosto, de quase 20%. Mas, nos dois modelos da BYD presentes na lista, os compradores pagaram ainda menos: os descontos foram de 27,5% e de 31,8%.
A título de comparação, em março, os descontos médios nos híbridos eram ainda de 18,2%.
A tendência já é visível por cá. A BYD anunciou este mês ter ultrapassado 3.200 híbridos plug-in vendidos em Portugal desde o lançamento do Seal U DM-i, em julho de 2024.
Segundo dados da ACAP, em julho, o fabricante chinês matriculou 718 ligeiros de passageiros no nosso país, mais 60,6% do que no mesmo mês de 2025, e ficou em nono lugar entre as marcas.
Ministro alemão do Ambiente exige tarifas
O ministro alemão do Ambiente, Carsten Schneider (SPD), exigiu no sábado a aplicação de tarifas aos híbridos plug-in de construtores chineses.
“Tanto na mobilidade elétrica como na produção de baterias, precisamos de um level playing field com a China, ou seja, de condições de concorrência justas”, disse Schneider na edição deste sábado do semanário Rheinische Post.
Isso não acontece de momento, afirmou, desde logo por causa da acentuada subvalorização da moeda chinesa. “Para os automóveis totalmente elétricos já existem direitos compensatórios; para os híbridos plug-in chineses, ainda não. Isto tem de mudar. Sou a favor de aplicar aos veículos plug-in chineses tarifas comparáveis às dos veículos totalmente elétricos”.
Nos automóveis totalmente elétricos e nos de combustão, os descontos desceram ligeiramente em agosto.
Para os 25 modelos elétricos mais vendidos, o instituto apurou em agosto descontos médios de 17,4%, menos 0,2 pontos percentuais do que em julho. Nos modelos de combustão mais populares, o desconto médio situou-se em 18,9% (menos 0,5 pontos).
Também a diferença no preço de compra entre os dois tipos de motorização desceu ligeiramente, mas manteve-se acima dos 2.000 euros. Em dezembro de 2025, essa diferença era ainda de 1.328 euros.
Dudenhöffer atribui essa diferença ao apoio estatal aos automóveis elétricos, que considera contraproducente. “Os construtores usam o prémio estatal para reduzir os descontos nos automóveis elétricos”, escreve o especialista do setor.