Um smartphone protegido por uma capa RHINOSHIELD foi lançado de uma altura de 30.607 metros sobre a Suécia e recuperado intacto. A proeza valeu à empresa um título do Guinness World Records pela queda mais alta de um telemóvel protegido por um capa sobre terreno natural.
O telemóvel foi recuperado a 24 de junho, perto de Kiruna, na Suécia, depois de ter sido lançado a uma altitude de 30.607 metros, na estratosfera.
A ideia terá surgido depois de a RHINOSHIELD ter lançado a sua linha de produtos AirX. Em vez de recorrer apenas aos testes de queda convencionais, a empresa submeter a nova capa a uma prova consideravelmente mais extrema.
O telemóvel foi equipado com uma capa AirX e transportado por um balão até à estratosfera, antes de ser libertado para uma queda livre até ao solo. As regras do Guinness World Records proibiam a utilização de paraquedas e determinavam que a capa tinha de entrar em contacto direto com o solo antes do telemóvel.
Antes da tentativa, a equipa realizou testes de congelação e de pressão atmosférica para simular as condições encontradas a grande altitude. Durante a queda, o dispositivo esteve exposto a temperaturas e pressões extremamente baixas.
A empresa afirma que o design da AirX foi inspirado nos airbags automóveis e nos sistemas de amortecimento a ar utilizados no calçado. A capa incorpora câmaras de ar e uma estrutura de compressão concebidas para absorver e dissipar a energia do impacto.
O lançamento teve lugar perto do Centro Espacial de Esrange, uma área restrita no norte da Suécia utilizada para operações aeroespaciais e de alta altitude. O telemóvel foi deliberadamente lançado sobre uma zona desabitada, reduzindo assim o risco para pessoas no solo.
Mas isso criou outro problema: encontrar o aparelho. Mesmo depois de o sistema de rastreamento ter reduzido a área potencial de aterragem para cerca de dois quilómetros, a equipa de recuperação terá passado mais de cinco horas à procura do telemóvel na natureza. Quando finalmente foi localizado, o aparelho estava intacto.
Segundo o Interesting Engineering, a experiência pretendia também demonstrar a abordagem da RHINOSHIELD ao design sustentável. A indústria das capas para telemóveis recorre frequentemente a combinações de plásticos, borrachas e outros materiais, o que pode dificultar a reciclagem.
A RHINOSHIELD afirma ter adotado uma abordagem de material único, defendendo que uma capa concebida a partir de um único material reciclável pode combinar circularidade e resistência. A empresa afirma que a capa é 100% reciclável e foi concebida para proporcionar proteção contra impactos sem abandonar a utilização de um único material.
Deixar cair um telemóvel da estratosfera dificilmente se tornará um teste de durabilidade normal para o consumidor. A velocidade terminal, a orientação do aparelho no momento do impacto, a forma como este atinge o solo e, sobretudo, a superfície de aterragem podem alterar drasticamente o resultado.
Ainda assim, a experiência demonstrou que o smartphone conseguiu sobreviver a uma queda de 30.607 metros e permitiu à RHINOSHIELD estabelecer um novo recorde mundial. Este não é, porém, o primeiro caso conhecido de um telemóvel encontrado a funcionar depois de uma queda a grande altitude.
Em janeiro de 2024, um iPhone que estava a bordo do voo 1282 da Alaska Airlines foi encontrado intacto na berma de uma estrada depois de ter sido projetado para fora de um Boeing 737 MAX 9 na sequência do desprendimento de um tampão de porta da fuselagem. O aparelho terá caído aproximadamente 5000 metros.
O telemóvel foi encontrado por Sean Bates, que o localizou junto a uma estrada. O dispositivo estava em modo de avião, tinha cerca de metade da bateria e apresentava no ecrã informações relacionadas com a bagagem do voo.
Bates contactou posteriormente o National Transportation Safety Board (NTSB), que confirmou que se tratava do segundo telemóvel recuperado após o incidente. O aparelho estava protegido por uma capa e tinha aterrado numa zona de relva.
O caso despertou o interesse da jornalista Joanna Stern, do The Wall Street Journal, que decidiu investigar por que razão um telemóvel podia sobreviver a uma queda de milhares de metros, mas partir-se numa queda aparentemente banal.
Stern e o seu produtor realizaram uma série de testes com um iPhone 14 e um Samsung Galaxy S23. Os aparelhos foram largados de aproximadamente 0,9 metros, nove metros e 91 metros sobre relva e asfalto.
Os resultados mostraram que a superfície de impacto podia ser mais determinante do que a altura da queda. Sobre relva, os dois telemóveis sobreviveram às quedas de 0,9 e 9 metros sem danos significativos. Na queda de cerca de 91 metros, também sobre relva, os aparelhos sofreram apenas sujidade e restos de relva nas portas de carregamento.
Uma das explicações está na velocidade terminal. À medida que um objeto cai, a resistência do ar aumenta até equilibrar a força da gravidade. A partir desse ponto, o objeto deixa de acelerar significativamente.
A superfície de aterragem, porém, continua a ser crucial. A relva consegue deformar-se e prolongar ligeiramente o tempo de desaceleração, enquanto o asfalto provoca uma desaceleração muito mais brusca.
Nos testes realizados sobre asfalto, uma queda de cerca de 0,9 metros provocou apenas pequenos cortes e amolgadelas nos aparelhos sem capa. A cerca de 9 metros, contudo, os danos foram muito maiores, enquanto o ecrã do Galaxy S23 sofreu danos significativos e começou a apresentar problemas.
No caso da RHINOSHIELD, a queda de 30.607 metros constitui uma demonstração extrema das capacidades reivindicadas para a AirX, mas não deve ser interpretada como prova de que qualquer telemóvel equipado com essa capa sobreviverá a uma queda semelhante. Trata-se de uma demonstração específica, realizada em condições controladas e com um único aparelho.