A BYD quer repetir na Europa o que já testou no Japão, trazendo para as nossas estradas um carro pequeno, barato e elétrico, construído à volta de uma bateria compacta capaz de libertar espaço no habitáculo. A tecnologia chama-se X-Pack e prepara-se para atravessar continentes.
Tudo começou com o Racco, um kei car lançado pela BYD, em julho.
Por lei, estes veículos não podem ultrapassar 3,4 metros de comprimento, 1,48 metros de largura e dois metros de altura, o que obriga as fabricantes a fazerem uma ginástica de engenharia: conseguir meter bateria, motor e eletrónica sem sacrificar o espaço para os passageiros.
大切な人を乗せるクルマだからこそ、小さな不安も残したくない。
BYD RACCOは、窓が開いている状態ではスライドドアが半分までしか開かないようになっています。万が一の手や首の挟み込みを防ぐための、やさしいストッパーです。
家族みんなの毎日に、確かな安心と笑顔を届けること。… pic.twitter.com/LsTe7NV7qK
— BYD JAPAN(ビーワイディージャパン) (@byd_japan) August 31, 2026
A solução da BYD foi o sistema X-Pack, que integra o inversor e outros componentes elétricos diretamente dentro da bateria, montada sob o piso do carro, em vez de ocupar espaço debaixo do capô, como é habitual.
No Racco, que conhecemos aqui, o resultado é uma autonomia até 320 km com uma bateria de 36 kWh.
Quanto ao carregamento rápido, as primeiras notícias falavam em picos de 100 kW, mas dados divulgados após o lançamento apontam para valores mais modestos, entre os 36 e os 50 kW consoante a variante da bateria.
Porque é que a Europa entra nesta equação
Segundo avançado pela Nikkei, a BYD está agora a preparar uma versão internacional desta tecnologia, com a Europa como principal destino.
Em 2025, a União Europeia criou uma nova categoria de veículos elétricos compactos, conhecida como E-car ou M1E, que prevê incentivos para carros elétricos com menos de 4,2 metros, desde que fabricados dentro do bloco europeu.
Ou seja, um pequeno elétrico made in Europe, construído com a arquitetura X-Pack, poderia beneficiar de subsídios e escapar às tarifas aplicadas aos veículos importados de fora da Europa. A fábrica da BYD na Hungria surge como o local mais provável para essa produção.
De ressalvar que o Racco em si, tal como existe hoje, dificilmente virá para a Europa, na medida em que foi desenhado à medida das regras japonesas e dos testes de colisão locais.
Assim sendo, uma vez que cumprir a homologação europeia implicaria um redesenho significativo, a BYD deverá preferir desenvolver um modelo europeu próprio, aproveitando apenas a tecnologia da bateria.
O que falta confirmar
Por agora, a BYD deverá estar a iniciar apenas o trabalho de desenvolvimento, com chegada ao mercado prevista para “dentro de alguns anos”, sem data fechada.
Sobre a procura pelo Racco no Japão sabe-se que, das mais de 700 encomendas na primeira semana, apenas 125 unidades foram efetivamente registadas, a maioria carros de demonstração para stands, o que levanta questões sobre o sucesso comercial do produto.



