A dupla portuguesa, campeã mundial em 2023, terminou a final em 1.29,29 minutos. Os alemães Jacob Schopf e Max Lemke conquistaram o título com 1.27,57, enquanto os checos Jakub Spicar e Daniel Havel completaram o pódio.
João Ribeiro e Messias Baptista confirmaram, assim, a presença entre a elite mundial de uma distância que integra o programa dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
Os dois canoístas já tinham conquistado uma medalha em Poznan. Ao lado de Gustavo Gonçalves e Pedro Casinha, João Ribeiro e Messias Baptista alcançaram o bronze na final de K4 500 metros.
O quarteto português, campeão mundial em 2025, terminou a prova em 1.25,53 minutos, atrás da Alemanha, vencedora em 1.23,95, e da Austrália, segunda classificada com 1.24,57.
“Os caiaques masculinos estiveram muito bem. O Gustavo, o João, o Messias e o Pedro fizeram uma prova extraordinária. Depois de terem sido campeões do Mundo no ano passado, estiveram sempre nas medalhas ou muito perto delas ao longo desta época”, analisou Hélio Lucas Araújo.
O selecionador lembrou os vários resultados em que o K4 português ficou próximo do pódio, antes de voltar a conquistar uma medalha na principal competição internacional da temporada.
“Tivemos muitos quartos lugares e agora conseguiram o terceiro lugar no K4, que é uma distância olímpica. O João e o Messias também fizeram um trabalho excecional”, sublinhou.
Hélio Lucas Araújo destacou igualmente o contributo do treinador diretamente responsável pela preparação do grupo que integra o K2 e o K4 masculinos.
“O Rui, que trabalha com eles, fez um trabalho fantástico e tem mantido estes atletas num nível muito elevado. Penso que tivemos uma excelente prestação no Mundial”, declarou.
Embora assuma a coordenação da seleção portuguesa, Hélio Lucas Araújo fez questão de repartir os méritos pelos restantes treinadores, clubes e estruturas que acompanham diariamente os atletas.
“Eu sou o selecionador, procuro que não falte nada aos treinadores e que tenhamos cada vez mais condições, mas o trabalho é efetivamente dos técnicos. Neste caso, cabe-me alguma responsabilidade porque também trabalho com o Fernando, mas todos eles têm feito um trabalho louvável”, explicou.
O selecionador recordou ainda que os resultados de uma competição não podem ser avaliados exclusivamente através das medalhas. Além dos projetos já consolidados no setor masculino, Portugal procura desenvolver novas embarcações na velocidade e manter-se competitivo na paracanoagem.
“Estiveram envolvidos vários treinadores, desde a paracanoagem aos caiaques. As medalhas são aquilo de que mais se fala, mas há outros projetos que estão em desenvolvimento. Ainda assim, ao nível dos resultados, foi extraordinário aquilo que os caiaques masculinos fizeram”, considerou.
As quatro medalhas conquistadas em Poznan aumentam também a responsabilidade da seleção nas próximas competições. Hélio Lucas Araújo admite que será difícil voltar a melhorar estes resultados, mas garante que o grupo continuará a trabalhar com a ambição de permanecer entre as principais potências da modalidade.
“Vinha a caminhar com os treinadores para o hotel e falávamos precisamente disso: temos um problema. No ano passado batemos um recorde, este ano voltámos a batê-lo e não sei como poderemos voltar a melhorar este resultado”, afirmou, entre sorrisos.
O grande objetivo passa agora por prolongar o atual ciclo de resultados até aos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
“A fasquia está muito, muito alta. Queremos prolongar esta dinâmica até aos Jogos Olímpicos, para que os atletas consigam, em Los Angeles, resultados que deixem os portugueses orgulhosos. Isso é o mais importante”, declarou.
O novo sistema de qualificação olímpica da canoagem de velocidade assenta num ranking internacional, com dez competições elegíveis e a contabilização dos oito melhores resultados. Apesar de ainda não existirem qualificações definitivas, os desempenhos alcançados durante a temporada permitem à seleção encarar com confiança a corrida às vagas olímpicas.
“Só podemos levar, no máximo, cinco atletas masculinos. Não digo que estes cinco já estejam qualificados, porque ainda falta um ano e foram disputadas oito provas de um total de dez, mas estamos numa posição muito positiva. Penso que o Fernando lidera o ranking e o K4 está, se não em primeiro, no segundo ou terceiro lugar”, explicou o selecionador.
Hélio Lucas Araújo considera que Fernando Pimenta e os quatro elementos do K4 estão muito bem posicionados, embora sublinhe que o processo ainda não terminou.
“Estamos na zona das medalhas. Mantendo esta dinâmica, acredito que a qualificação será possível. Depois, temos outras embarcações que continuam na luta, a somar pontos até ao final, e queremos melhorar as prestações para que também consigam chegar aos Jogos”, acrescentou.
A ambição portuguesa estende-se à paracanoagem, na qual a seleção esteve representada em Poznan por Norberto Mourão, Alex Santos e Matilde Nunes. Os resultados conquistados pelos três atletas também contam para o respetivo processo de qualificação paralímpica.
“Temos o Norberto, o Alex e a Matilde, que fizeram boas prestações e que também estão numa posição que lhes permite lutar pelo apuramento para os Jogos Paralímpicos”, concluiu Hélio Lucas Araújo.