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Maringá — Chegar à velhice com autonomia exige planejamento biológico. Para a medicina do estilo de vida, o tecido muscular deixou de ser visto apenas como suporte mecânico. Ele atua como um complexo órgão endócrino.
Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o médico endocrinologista Márcio Canever apontou que a preservação da massa magra é o fator determinante para a sobrevivência após a sétima década de vida. “A musculatura é a nossa verdadeira aposentadoria para o futuro”, afirmou. “O músculo libera substâncias que se comunicam diretamente com o cérebro, reduzindo de forma expressiva a incidência de doenças como Alzheimer e Parkinson”.
A curva epidemiológica e o combate à sarcopenia
O especialista chamou a atenção para um dado demográfico contundente: a quase total ausência de idosos obesos com mais de 80 ou 90 anos de idade. Ao analisar gráficos populacionais, Canever destacou que as curvas de expectativa de vida e de sobrepeso se acompanham até os 75 anos, ponto em que os índices de obesidade despencam.
“O indivíduo com sobrepeso e obesidade morre antes. Você não encontra pessoas de 90 anos obesas andando na rua”, frisou o médico. “Quando você vê um idoso lúcido e ativo aos 90 anos, ele pode até ser magro, mas não é sarcopênico. Ele preservou a musculatura”.
A perda muscular progressiva associada ao envelhecimento, conhecida como sarcopenia, eleva drasticamente a taxa de mortalidade por quedas e fragilidade metabólica. “Quando adoecemos, o que nos faz levantar mais rápido de uma cama hospitalar é a musculatura”, explicou Canever. “O exercício de força machuca o músculo de forma benéfica e a alimentação fornece a matéria-prima para reconstruí-lo. É essa poupança que garante independência e saúde no futuro”.
Serviço
Assista o episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Youtube do jornal Maringá Post.
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção: VMark Estúdio