As principais bolsas norte-americanas fecharam a sessão desta segunda-feira no vermelho, depois de uma escalada no Médio Oriente ter feito subir o preço do petróleo. Os receios inflacionistas cresceram, numa semana em que os investidores aguardam a divulgação de vários dados económicos dos EUA, entre eles os dados do emprego, na sexta-feira.
Neste âmbito, o S&P 500 desceu 0,33% para 7.686,14 pontos, o Dow Jones recuou 0,70% para 53.185,90 pontos e o Nasdaq Composite abrandou 0,12% para 26.370,89 pontos.
Os Estados Unidos e o Irão trocaram ataques pela primeira vez em cerca de um mês. As forças norte-americanas atingiram uma ilha no estreito de Ormuz, enquanto a República Islâmica lançou ataques contra os Emirados Árabes Unidos e a Jordânia. O presidente Donald Trump disse à Fox News que os Estados Unidos vão responder, sem dar mais pormenores.
A escalada nas hostilidades afastou as esperanças de uma normalização do tráfego em Ormuz, com os preços do petróleo em alta a reforçar as apostas numa subida das taxas de juro, depois de o presidente da Reserva Federal, Kevin Warsh, ter reiterado o compromisso de combater a inflação. A decisão depende ainda dos dados do emprego e da inflação, mas o mercado de “swaps” já dá como mais provável uma subida de juros em setembro do que o contrário, segundo a Bloomberg.
“Com os investidores a seguirem de perto a volatilidade geopolítica, para além da potencial volatilidade sazonal, vai ser interessante perceber que parte do impulso da semana passada se vai manter esta semana”, disse Chris Larkin, da E*Trade, unidade da Morgan Stanley. “Dados do mercado de trabalho inesperadamente fortes podem ser vistos como má notícia pelo mercado, já que podem reforçar as expectativas de uma subida de juros”, continuou, citado pela Bloomberg.
Segundo Andrew Tyler, do JPMorgan Chase, esse relatório “vai ser crítico”, ainda que os dados da inflação, esperados para 11 de setembro, sejam mais importantes, dado que Warsh considera que a economia dos Estados Unidos está em pleno emprego. Tyler assumiu, por isso, uma postura “taticamente cautelosa” para as ações norte-americanas nas próximas semanas, segundo avança a mesma agência de notícias financeiras.
Mercado entra em mês historicamente negativo
Na terça-feira, os mercados entram num mês historicamente difícil para as ações. Apesar de o S&P 500 ter contrariado essa tendência sazonal nos últimos dois anos, os dados históricos citados pela Bloomberg mostram que o índice perdeu, em média, 0,8% nos meses de setembro das últimas três décadas. É, por isso, o pior mês do ano, em contraste com uma subida média de 0,9% nos restantes 11 meses.
Em termos empresariais, destaca-se o tombo da Edison (-23,20%) e da PG&E (-20,23%), ambas do setor das “utilities”. Em causa está um novo projeto de lei na Califórnia sobre incêndios florestais, que deixa de fora a proposta do governador Gavin Newsom para proteger as empresas de serviços públicos de processos judiciais movidos por seguradoras.
A Nvidia (+1,48%) anunciou um investimento de 3,5 mil milhões de dólares (cerca de três mil milhões de euros) na MediaTek, fabricante taiwanesa de chips, aprofundando a parceria com a empresa numa altura em que tenta convencer mais companhias a construírem chips compatíveis com o seu ecossistema de centros de dados.