“Sell-off” na dívida contagia ações e atira Europa para o vermelho
As principais praças europeias estão a negociar em território negativo, com Lisboa a ser a única a escapar a uma onda de vendas, desencadeada por preocupações em torno da inflação. A subida nos preços do petróleo pelo segundo dia consecutivo está a fazer com que os investidores se desfaçam de obrigações a elevado ritmo, levando os juros das “Bunds” alemãs a atingir o valor mais elevado em quase duas décadas.
A esta hora, o Stoxx 600 – “benchmark” para a negociação europeia – perde 0,78% para 646,03 pontos, afastando-se dos máximos históricos que atingiu no arranque de agosto. O setor da defesa e o das viagens são os que mais pressionam o índice do Velho Continente, ao cederem acima de 2%, enquanto, do lado dos ganhos, são as petrolíferas a travarem maiores quedas.
O barril de Brent – crude de referência para a Europa – está a negociar em torno dos 92 dólares por barril, depois de dois superpetroleiros terem sido atingidos por mísseis enquanto atravessavam o estreito de Ormuz, de acordo com a Bloomberg, que cita a consultora de segurança marítima Marisks.
O “benchmark” europeu tem enfrentado grandes obstáculos nas últimas semanas, com os investidores à procura de novos catalisadores após uma época de resultados bastante resiliente. Uma subida nos juros da dívida está a deixar os “traders” nervosos, com as atenções a virarem-se agora para a reunião do Banco Central Europeu (BCE) já na próxima semana. Antecipa-se uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro.
“As ações europeias deverão estar mais isoladas da volatilidade das obrigações, uma vez que todos os países europeus apresentam situações orçamentais muito melhores do que os EUA ou o Japão”, explica Joachim Klement, estratega da Panmure Liberum, à Bloomberg. “As preocupações mais prementes para os mercados europeus em setembro são as perspetivas para a inflação e o que o BCE e outros bancos centrais vão fazer a esse respeito”, acrescenta.
Entre as principais movimentações de mercado, a Air Liquide sobe 2,83%, depois de ter sido noticiado que o investidor ativista Elliott Investment Management adquiriu uma participação na empresa, pressionando o fornecedor de gases industriais a melhorar as margens. Por sua vez, a Partners Group Holding afunda 7,56%, após ter registado uma queda acentuada nas comissões.
Quanto aos resultados por praça, o alemão DAX recua 1,05%, o neerlandês AEX negoceia com perdas de 0,46%, enquanto o italiano FTSEMIB cede 1,09%, o francês CAC-40 subtrai 0,39%, o espanhol Ibex recua 1,13% e o britânico FTSE-100 desliza 1,21%.