Rui Borges encontrou uma nova forma de potenciar Issa Doumbia, recuando ligeiramente o médio e aproximando-o de Sergi Altimira. A solução surgiu depois das dificuldades sentidas nos primeiros jogos da época e tem permitido distribuir melhor as responsabilidades defensivas, ao mesmo tempo que liberta o camisola 77 para aparecer mais vezes em zonas ofensivas.
O internacional sub-21 por Itália chegou ao Sporting com a missão de dar maior capacidade física e explosividade ao meio-campo. Os dois médios começaram a ser trabalhados em conjunto ainda durante a pré-temporada. A aposta manteve-se na estreia oficial frente ao Estrela da Amadora, mas a dupla revelou dificuldades para controlar o ritmo do encontro depois de uma entrada forte dos leões.
Os números desse encontro ajudam a explicar o desgaste de Altimira. O espanhol assumiu praticamente sozinho grande parte das tarefas defensivas, sendo o único dos dois a recorrer aos tackles, com uma eficácia de 85%. Também terminou com quase o dobro dos passes certos de Doumbia, 64 contra 34, e apresentou uma eficácia muito superior nos duelos, com 73,3% contra apenas 18,1 do italiano. Perante o Vitória de Guimarães, Doumbia melhorou defensivamente e até superou o companheiro nos duelos, 61 contra 53 por cento, e nos tackles, 61,5 contra 53%.
Foi precisamente depois desse encontro que Rui Borges introduziu a alteração que viria a produzir melhores resultados. Frente ao Alverca, Doumbia baixou ligeiramente no terreno e aproximou-se de Altimira, permitindo que os dois repartissem as missões defensivas. Com mais liberdade à frente do espanhol, o italiano passou a ter espaço para transportar a bola e procurar a baliza.
A estratégia voltou a ser utilizada diante do Rio Ave (4-0) e os efeitos foram novamente positivos. Doumbia apresentou uma prestação equilibrada e ainda assistiu Flávio Gonçalves para o primeiro golo. O técnico parece ter encontrado, pelo menos para já, a fórmula para tirar maior rendimento do médio de 22 anos.