As pick-ups são o tipo de veículo mais vendido do outro lado do Atlântico e, para a Ford, que tem na F-150 o veículo mais vendido nos Estados Unidos da América, é extremamente importante que cada geração do modelo seja um sucesso, uma vez que o futuro da marca depende disso. Em 2023, a Ford lançou a 5ª geração da gama das F-Series, as suas pick-ups, mas, desta vez, algo não correu bem e tanto as vendas como a reputação dos modelos caíram consideravelmente.
Face ao ocorrido, Jim Farley, o CEO da marca, tomou uma decisão pouco usual, sobretudo pela dimensão, uma vez que foram despedidos 66% dos responsáveis pela produção, cadeia de fornecedores, coordenação industrial e departamento de engenharia. Tudo porque desde o lançamento, as pick-ups foram acumulando problemas de software e de chips, que obrigaram a armazenar milhares de unidades praticamente fabricadas, que tiveram de ser depois terminadas antes de serem enviadas para os concessionários para venda.
Numa entrevista ao Detroit Free Press, o maior e mais antigo jornal de Detroit, Farley admitiu que “o lançamento das F-Series foi um desastre”, mas continuou afirmando que “a crise serviu igualmente como catalisador para introduzir as necessárias alterações” no sistema de controlo de qualidade adoptado pelo construtor. De acordo com o CEO, “nos últimos anos recrutámos centenas de novos líderes e fomentámos a colaboração entre as diferentes divisões, o que levou a que os empregados agora reportem os problemas e os defeitos, o que nos permite identificar de imediato a origem do defeito”.
Os antigos directores da Ford, contentavam-se em produzir veículos “o melhor possível”, com a consciência de que provavelmente, mais tarde, surgiram problemas que tinham de ser resolvidos através de uma ou mais visitas aos concessionários. Durante a entrevista, o CEO da Ford reforçou a ideia de que “antes de 2023 teriam avançado com a venda das pick-ups Super Duty, para depois resolver as deficiências através de sucessivos recalls, chamadas à oficina”. Desde então, deixou de ser aceitável passar os problemas para os clientes, mesmo que isso implique parar a produção e atrasar lançamentos.
Todo o trabalho efectuado nos últimos três anos já começou a surtir efeito, uma vez que no último estudo da JD Power’s, que mede o grau de satisfação dos clientes com a qualidade dos veículos, a Ford ocupou a 1ª posição do ranking. Contudo, relembrou Farley, este construtor americano continua a liderar no número de recalls que realiza anualmente, o que significa que ainda há muito trabalho para fazer para se aproximar da fiabilidade evidenciada por fabricantes como a Toyota.