dr Imera Zante

O médico Vasileios Kanellopoulos (esq) e o capitão Tasos Lykouressis (dir) salvaram a vida a Álvaro

O capitão de uma embarcação turística mergulhou para tirar Álvaro do fundo do mar. E um obstetra que estava de férias estever durante quase uma hora a reanimá-lo.

Um português de 23 anos sobreviveu a um afogamento em Zakynthos, na Grécia, depois de 79 minutos de manobras de reanimação que envolveram o capitão de um barco e um médico em férias.

Uma semana depois, já respira sem entubação. Recuperou a consciência e fala com os pais.

O caso ocorreu ao fim da tarde de sexta-feira, 21 de agosto, num ponto de mergulho conhecido como Potamitis, no norte da ilha, junto a Korithi.

Vasileios Kanellopoulos, médico que se encontrava de férias na zona e participou no salvamento, contou ao jornal local Imera Zante que Álvaro mergulhou com uma máscara e não voltou à superfície.

Foi a filha do médico que reparou numa silhueta imóvel debaixo do barco.

Segundo Kanellopoulos, Álvaro tinha participado numa prova de ironman duas semanas antes. Estava a nadar ao largo de Korithi com os pais, diz a estação pública grega ERT.

O capitão da embarcação turística, Tasos Lykouressis, de 70 anos, mergulhou e trouxe o jovem à tona. Segundo o médico, Álvaro terá estado dentro de água cerca de 4 a 5 minutos.

Já no barco, Kanellopoulos iniciou a reanimação cardiopulmonar. O jovem estava sem pulso e tinha as pupilas dilatadas.

As manobras continuaram enquanto se aguardava socorro, primeiro numa embarcação da Guarda Costeira, mais tarde no pequeno porto de Agios Nikolaos, à espera da ambulância vinda do Hospital Geral de Zakynthos, a cerca de 30 km.

O médico calcula que a sua equipa terá feito reanimação durante 55 a 60 minutos.

A vítima foi entregue ao EKAB, o serviço nacional de emergência médica grego, por volta das 19h20. Os socorristas administraram medicação, detetaram atividade cardíaca lenta e irregular, aplicaram um choque com desfibrilhador e mantiveram as compressões.

No total, a reanimação estendeu-se por 79 minutos, desde o início do incidente até à chegada ao hospital, onde Álvaro deu entrada entubado e sedado. Nos primeiros três dias, o estado foi descrito como muito crítico.

Os exames de imagem não revelaram, numa primeira avaliação, lesões cerebrais evidentes por falta de oxigénio. Kanellopoulos diz que Álvaro se lembra de tudo até ao momento em que mergulhou.

No dia 27 de agosto, o jovem, licenciado pela Universidade de Princeton e a trabalhar nos Estados Unidos, foi extubado e recuperou a consciência: falou com os pais, cumpriu ordens simples e chegou a dar alguns passos amparado.

A ação rápida de dois heróis salvou a vida ao jovem português. Mas Kanellopoulos que “verdadeiramente heroica” foi a intervenção do capitão: “eu, apenas cumpri o meu dever”.