Numa publicação no Facebook, o social-democrata Carlos Rodrigues não poupa críticas ao ministro da Administração Interna que, “em total desrespeito pela instituição que, temporariamente tutela, usou a oportunidade para se autoelogiar (…) e entrar num bate-boca com um líder partidário”

O vice-presidente da Câmara do Funchal, o social-democrata Carlos Rodrigues, considera o discurso do ministro da Administração Interna, Luís Neves, proferido esta manhã na sessão solene comemorativa do 148.º aniversário do Comando Regional da PSP Madeira, “um dos momentos mais confrangedores em política” e diz mesmo que sentiu “vergonha alheia” ao assistir à cerimónia que decorreu no Museu de Imprensa de Câmara de Lobos.

Numa publicação no Facebook, o autarca do PSD, não poupa críticas a Luís Neves, que diz estar a prazo no cargo. “Em total desrespeito pela instituição que, temporariamente tutela, usou a oportunidade para se autoelogiar, para mostrar toda a sua vaidade e para entrar num bate-boca com um líder partidário”, condenou. Carlos Rodrigues acrescenta ainda que o momento “foi uma elegia ao absurdo, uma deselegância grosseira e uma total violação da ética e honra que deve presidir a estas cerimónias”.

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, apontou esta terça-feira o dedo às “grandes investigações jornalísticas”, considerando que algumas serão motivadas pela “inveja” de pessoas que diz ter afastado, presumivelmente da Polícia Judiciária.

No seu discurso na cerimónia de comemoração dos 148 anos do Comando Regional da PSP da Madeira, Luís Neves referiu-se às acusações de que é alvo por utilizar bens que foram apreendidos em operações da PJ, enquanto era diretor. O ministro afirmou que a legislação que permite às forças policiais utilizar viaturas apreendidas remonta a 2007 e garantiu ter feito o reporte de cerca de 800 carros. “Parece que alguém agora está do lado de quem cometeu crimes. Porventura que fiquem com o património”, afirmou.

Durante a intervenção, o ministro afirmou ainda que todas as investigações que realizou tiveram por base provas. “Investiguei, senhores magistrados aqui presentes, como sabem, sempre com provas. Sem provas não há acusação, há difamação”, declarou, referindo-se ao presidente do Chega, André Ventura.

“Não posso ignorar o que está a acontecer no debate político. Nas últimas semanas, assistimos a uma escalada de mentiras, insinuações, e de destruição pessoal e política que ultrapassou todos os limites”, considerou Luís Neves.

O ministro disse que “podia falar no abstrato”, mas apontou diretamente a André Ventura: “Comparou-me a um gangster e até já falou que só falta que ande a vender droga na rua.”

Luís Neves acrescentou que o presidente do Chega tem feito insinuações e acusações, sem provas, com o objetivo de “destruir” a sua reputação.