Obrigações e Médio Oriente atiram Europa para o vermelho. Deutsche Bank avança após recomendação do Goldman Sachs


As principais praças europeias estão a negociar em território negativo esta quarta-feira, pressionadas por uma nova escalada das tensões no Médio Oriente, depois de os EUA e Irão terem voltado a trocar ataques. O conflito levou os preços da energia a subirem novamente e os investidores a aumentarem as probabilidades de subidas nas taxas de juro tanto deste como do outro lado do Atlântico, de forma a fazer face a uma inflação crescente. 


A esta hora, o Stoxx 600 – “benchmark” para a negociação europeia – negoceia com perdas de 0,27% para 645,72 pontos, com quase todos os setores a negociarem no vermelho. Os únicos que escapam à onda de vendas são a banca, as telecomunicações e as ações ligadas a serviços financeiros, enquanto, do outro lado da tabela, o destaque vai para o setor dos media que lidera as perdas da região. 


As ações europeias estão ainda a ser pressionadas pelo movimento de “sell-off” no mercado de dívida. Os juros das obrigações na Zona Euro continuam a agravar-se esta quarta-feira, depois de terem atingido máximos de quase duas décadas na sessão anterior, com os investidores a exigirem cada vez mais um prémio elevado para deterem obrigações do continente face a uma cenário de incerteza inflacionista e monetária. 


É uma combinação de receios relacionados com os défices orçamentais, o acumular da dívida e a inflação, que estão a exercer uma pressão ascendente sobre as taxas de rendibilidade“, afirmou Patrik Lang, estratega-chefe de investimentos da Global Gate Asset Management, à Bloomberg. “Não esperaria uma correção, mas poderá haver uma consolidação, dado que os mercados bolsistas estão a ser negociados perto dos máximos históricos”, acrescenta. 


O “benchmark” europeu encaminha-se para fechar a terceira semana de perdas em quatro, mas consegue manter-se a apenas 2% dos máximos históricos que atingiu no arranque de agosto. Mesmo assim, continua a registar um desempenho abaixo dos pares norte-americanos e asiáticos, apesar de até ter começado o ano em força


Entre as principais movimentações de mercado, o Deutsche Bank avança 1,38%, depois de o banco norte-americano Goldman Sachs ter revisto em alta a recomendação da instituição financeira alemã de “manter” para “comprar”, citando o potencial da cotada de registar um crescimento de lucros mais rápido do que o setor em geral a partir do próximo ano. 


Quanto aos resultados por praça, o alemão DAX recua 1,37%, o neerlandês AEX negoceia com perdas de 0,29%, enquanto o italiano FTSEMIB cede 0,26%, o francês CAC-40 subtrai 0,42%, o espanhol Ibex recua 0,01% e o britânico FTSE-100 desliza 0,33%.