O caos está instalado em Espanha. Durante mais de um mês, o governo espanhol e o próprio primeiro-ministro Pedro Sánchez alegaram que Marrocos não esteve envolvido na entrada massiva de migrantes em Ceuta, a 30 e 31 de julho. Mas agora apareceu um relatório policial que diz que agentes marroquinos teriam estado por detrás da crise migratória.
O ministro da Justiça, Presidência e Relações com as Cortes, Félix Bolaños, assegurou esta quarta-feira (2 de setembro) que o Governo já está a analisar o relatório policial, afirmando que não fará comentários sobre Marrocos até que sejam conhecidos todos os pormenores.
Bolaños pediu “extrema cautela” na avaliação do relatório que o Comissariado-Geral para a Imigração e Fronteiras enviou na segunda-feira (31 de agosto) à magistrada da Audiência Nacional, María Tardón, que está a investigar a crise migratória.
Este documento afirma que a “invasão” de Ceuta “foi conduzida por polícias marroquinos sob ordens de agentes à paisana”. O objetivo seria colapsar o acesso à fronteira.
A existência do relatório foi revelado pelo jornal El Español, sendo que era desconhecido do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Este responsável exigiu, numa carta enviada durante esta madrugada segundo o El País, que o diretor-geral da Polícia Nacional, Francisco Pardo, revele quando teve conhecimento desta informação “absolutamente essencial”.
Marlaska quer saber isso para que o governo possa adotar as “decisões adequadas em relação à crise migratória de Ceuta, no exercício das suas funções constitucionais de condução da política interna e externa e de defesa do Estado”.
O governo terá sabido do relatório só pela notícia do El Español, com Bolaños a rejeitar que o executivo tenha mentido. “O governo de Espanha está a agir e a informar os cidadãos com a informação que tem à sua disposição”, explicou.
Segundo a agência EFE, o diretor-geral da Polícia Nacional vai reunir ainda esta quarta-feira (2 de setembro) com os máximos responsáveis do Comissariado-Geral para a Imigração e Fronteiras, depois da carta de Grande-Marlaska a exigir-lhe explicações.
Francisco Pardo terá já informado o ministro que foi a juíza María Tardón que pediu um relatório à polícia para decidir se abria ou não uma investigação ao ocorrido, dando ordens aos investigadores de não informar os superiores sobre o relatório.
Pardo deixou claro que também não tinha conhecimento, explicando que nenhum relatório responsabiliza as forças de segurança marroquinas pelo “planeamento ou execução” da entrada massiva de migrantes em Ceuta, desacreditando aquilo que foi revelado pelo El Español.
“Ele sabia e encobriu”
O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, acusou entretanto o primeiro-ministro de esconder os relatos sobre a chegada em massa de migrantes a Ceuta e enfatizou: “ele sabia e encobriu”, exigindo ainda que Sánchez convoque de imediato o embaixador marroquino para prestar esclarecimentos.
Na cidade autónoma espanhola, para assinalar o Dia de Ceuta, Feijóo disse que o governo de Sánchez não está em condições de proteger a segurança de Espanha e que a “única saída” é ir às urnas para dar voz aos cidadãos.