
Descontos, pontos e vales que não chegam ao cliente lideram as reclamações. Em oito meses, o setor quase iguala todo o ano de 2025.
As reclamações contra redes e postos de combustível registadas no Portal da Queixa subiram 84,21% nos primeiros oito meses de 2026. Foram 665 entre janeiro e agosto, contra 361 no mesmo período do ano passado.
Em apenas oito meses, o setor ficou a duas queixas das 667 registadas no portal em todo o ano de 2025, segundo os dados que a plataforma divulgou esta terça-feira.
Mudou também o motivo da insatisfação. Os descontos, campanhas e promoções, referidos em 28,49% das reclamações em 2025, aparecem este ano em 40,15%.
A “promessa não cumprida” ganhou peso nas reclamações: o benefício anunciado que acaba por não chegar ao cliente.
O motivo que mais pesa são as falhas nos programas de benefícios e recompensas, com 27,11% das queixas. Estão em causa pontos que não são creditados, ofertas que não se concretizam e condições pouco claras nas campanhas de fidelização.
Seguem-se as falhas na qualidade do serviço e no atendimento (24,10%) e as questões financeiras e de pagamentos (22,74%), que incluem cobranças indevidas, preços incorretos ou não comunicados e reembolsos por fazer.
Nos relatos deixados na plataforma, as falhas vão da bomba ao pagamento: preços que não correspondem ao valor do placar, dificuldades na utilização de vales de combustível e problemas na atualização dos preços.
Maio foi o mês com mais queixas, 150 no total.
Apesar da subida, a nota média atribuída por quem avaliou a experiência melhorou ligeiramente, de 5,98 em 2025 para 6,14 este ano. Apesar da subida das queixas, a satisfação média entre os consumidores que avaliaram a experiência melhorou ligeiramente, de 5,98 em 2025 para 6,14 este ano.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, o desconto ganhou outro peso no orçamento das famílias.
Quando não é aplicado, diz, “a frustração transforma-se rapidamente numa reclamação“. O responsável pede ao setor mais transparência e consistência na aplicação das campanhas e dos programas de fidelização.
Os números refletem as reclamações submetidas voluntariamente no Portal da Queixa, e não o universo das queixas do setor nem uma amostra representativa dos consumidores.
A análise divulgada não apresenta a repartição das reclamações por marca.
Como reagir quando o desconto não aparece
Guarde o comprovativo: talão ou fatura do abastecimento e, em caso de divergência, uma fotografia do preço no placar e da bomba.
Reclame primeiro junto da rede ou do posto, pelo apoio ao cliente ou pela aplicação, e guarde o registo do contacto.
Use o Livro de Reclamações Eletrónico: o operador é obrigado a responder no prazo de 15 dias úteis, e a resposta segue também para a entidade fiscalizadora.
Se o conflito não ficar resolvido, pode recorrer a um Centro de Arbitragem de Conflitos de Consumo.
Se suspeitar da qualidade ou da adulteração do combustível, apresente denúncia à ENSE, a entidade que fiscaliza os combustíveis, pelo número verde 800 914 146 ou por [email protected].