Esta quarta-feira foi dia de subidas nas principais praças norte-americanas. Os investidores aproveitaram para comprar ações depois de vários dias de quedas, na esperança de estarem a investir no denominado “buy the dip” – quando uma ação é considerada subvalorizada, esperando lucrar com a sua valorização.
Perto de 350 ações do índice S&P 500 fecharam o dia com subidas, entre elas a Dell, que disparou quase 16%, depois de ter divulgado perspetivas financeiras sólidas para o futuro próximo. O dia ficou também marcado por um novo pulo da GoPro, que fechou a sessão com aumentos de 37,40%, depois de ter chegado ao fim de terça-feira a subir mais de 40%.
Assim, o S&P 500 fechou o dia com subidas de 0,46% para 7.666,60 pontos, ao mesmo tempo que o Dow Jones cresceu 0,56% para 53.061,95 pontos e o Nasdaq Composite aumentou 0,45% para 26.217,83 pontos.
Em termos individuais, destaca-se ainda a Nvidia, que acelerou mais de 3% depois de o CEO Jensen Huang ter pedido aos países do G20 que acelerem a adoção da inteligência artificial como forma de impulsionar o crescimento, instando as maiores economias do mundo a expandirem os seus centros de dados e outras infraestruturas para dar apoio à tecnologia emergente.
Já a Uber cresceu 1,59%, após ter anunciado que vai eliminar 3.300 postos de trabalho, equivalentes a 10% do seu pessoal. Ao mesmo tempo, o conselho de administração da Delivery Hero, dona da Glovo, aprovou a oferta de aquisição lançada pela Uber, de 14.800 milhões de dólares (12.770 milhões de euros).
Os investidores estão agora atentos à divulgação dos resultados da Broadcom, que acontece depois do fecho da bolsa, e que poderão servir como mais um indicador de saúde do setor da inteligência artificial.
Os ecrãs de Wall Street pintaram-se de verde após uma recente escalada nos conflitos no Médio Oriente, resultando em crescentes preocupações inflacionistas devido ao aumento do preço do petróleo. Isto porque tal poderá levar a Reserva Federal (Fed) a subir as taxas de juros na reunião de setembro.
“As ações estão a encontrar algum equilíbrio após um arranque difícil” do mês, disse Angelo Kourkafas, da empresa de serviços financeiros Edward Jones. “Os fundamentos subjacentes permanecem construtivos. Embora os ventos contrários sazonais mereçam atenção, não são suficientes por si só para interromper a tendência de alta mais ampla do mercado”, analisou, citado pela Bloomberg.
Os investidores aguardam ainda a divulgação do relatório de emprego nos EUA, na sexta-feira, sendo que a semana já foi recebendo alguns dados do setor. Nesta quarta-feira, ficou-se a saber que as empresas norte-americanas criaram emprego a um ritmo mais moderado em agosto, sublinhando um mercado de trabalho estável, depois de o presidente da Fed, Kevin Warsh, ter dito, na semana passada, que o mercado de trabalho está, no geral, em linha com o pleno emprego.
Já o presidente da Fed de Nova Iorque, John Williams, disse à CNBC haver indícios de que a inflação continua a abrandar, à medida que o impacto das tarifas se dissipa e ao mesmo tempo que os preços mais elevados da energia não se estão a propagar a outros serviços. “As declarações dele não excluem, de todo, uma subida em setembro, mas desafiam a ideia, generalizada no mercado, de que essa subida é claramente a mais provável“, disse Krishna Guha, da consultora Evercore, citado pela Bloomberg.