Américo Madeira teve uma infância marcada por perdas, abandono e dificuldades. A mãe morreu no momento em que lhe deu à luz e, pouco tempo depois, o pai ganhou a lotaria e deixou a família. Américo e a irmã ficaram aos cuidados da avó materna.

«Fui tantas vezes ao fundo do poço que achei que fosse um balde», recordou o empresário, ao falar sobre os primeiros anos de vida.

Sem a presença dos pais, Américo cresceu com a avó, a quem é profundamente grato por tudo o que fez por ele. No entanto, a relação ficou também marcada por palavras que nunca esqueceu. Durante anos, foi acusado pela própria avó de ter provocado a morte da mãe. «Eu era a recordação de que ela tinha morrido», explicou, recordando a forma como era visto dentro de casa.

Na escola, também sentia o peso da sua história. Era conhecido como «o rapaz órfão» e aprendeu desde cedo a defender-se sozinho. Aos 13 anos, deixou os estudos e começou a trabalhar.

O pai, entretanto, tinha desaparecido completamente da sua vida. Depois de ganhar a lotaria, abandonou os filhos e nunca mais voltou. Durante anos, Américo ficou com a ideia de que aquele homem teria conseguido construir uma boa vida graças ao dinheiro que tinha recebido.

Aos 19 anos, decidiu finalmente procurá-lo. Mas o reencontro foi muito diferente daquilo que poderia imaginar. Américo encontrou o pai sem dinheiro e a viver como sem-abrigo. O homem que outrora tinha ficado milionário estava agora numa situação de extrema pobreza.

O pai acabou por morrer na rua. Para Américo, o destino daquele homem acabou por representar uma espécie de consequência de tudo aquilo que tinha feito.

Apesar de todas as adversidades, Américo decidiu não deixar que o passado definisse o seu futuro. «A vida é madrasta para muitos… A diferença é que eu decidi lutar», disse.

Aos 18 anos, casou-se e foi pai pela primeira vez. Anos mais tarde, quando dava aulas de inglês, conheceu Vanessa, com quem viria a construir uma nova família. Os dois foram viver para os Estados Unidos da América com a filha de Américo. Foi no estrangeiro que nasceu Oliver, o filho mais novo do empresário, posteriormente diagnosticado com autismo.

De regresso a Portugal, Américo decidiu criar um negócio pensado também para garantir o futuro do filho. Abriu a “Oliver’s Place Guesthouse”, uma hospedagem cujos lucros revertem para o futuro de Oliver.

Hoje, Américo está também a tirar um doutoramento. Uma realidade muito distante daquela infância em que se sentia condenado a ter menos oportunidades.