As autoridades alemãs identificaram dois suspeitos do envolvimento da tentativa de ataque no aeroporto de Leipzig, a 5 de agosto. Os suspeitos são um homem nascido na Rússia, com passaporte da Letónia, e um bielorrusso, com passaporte russo. Ambos são “conhecidos pelas autoridades”, refere o jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

O homem russo com passaporte letão seria o coordenador logístico da tentativa de ataque e terá ligações com os serviços secretos russos. Já o bielorrusso terá entrado na Alemanha com um passaporte italiano de turista.

“Aparentemente entrou na Alemanha no final de julho pelo aeroporto de Berlim-Brandemburgo e, em seguida, viajou para Leipzig num carro alugado. Dois dias antes do ataque frustrado com drone, o suspeito deixou a Alemanha novamente – mais uma vez de avião, via Berlim-Brandemburgo”, refere o jornal.

Num dos drones, mais concretamente numa lata com explosivos e numa antena fixada perto do aeroporto, foram encontrados vestígios do suspeito bielorrusso, que “já havia chamado a atenção das autoridades de vários países por outros crimes”.

Apesar das provas e da acusação contra a Rússia, o jornal adianta que os investigadores estão “céticos” quanto à possibilidade de os dois suspeitos serem julgados, recordando-se o caso de um ciberataque ao Parlamento alemão, em 2015, que não resultou na detenção dos suspeitos.

Além disso, os especialistas do Departamento Federal de Polícia Criminal alemã suspeitam que podem ter sido usados mais drones na tentativa de ataque.

A 5 de agosto, foi encontrado um drone com explosivos nas proximidades de um avião ucraniano no aeroporto alemão de Leipzig/Halle, que serve para transportar armamento da NATO e para a Ucrânia. Vinte dias depois, foi noticiado que tinham sido encontrados três drones no aeroporto e, apesar de inicialmente ter evitado responsabilizar a Rússia, a Alemanha acabou por fazê-lo esta terça-feira.

Quase um mês depois, Alemanha acusa Rússia de ataque híbrido no aeroporto de Leipzig e responde com medidas diplomáticas

“Não consideramos Leipzig um incidente isolado, mas sim um elemento central em outras ações híbridas. Presumimos que a Alemanha seja alvo de novos ataques híbridos por parte da Rússia”, afirmou na terça-feira Alexander Dobrindt, ministro alemão da Administração Interna, em conferência de imprensa, citado pelo jornal alemão Der Bild.

Como retaliação pela tentativa de ataque, Johann Wadephul, ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, anunciou medidas contra a Rússia, mais concretamente o encerramento do consulado-geral em Bona e da Casa Russa de Berlim, ambos previstos para 18 de setembro.

A Rússia rejeita responsabilidades, com o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a pedir que a Alemanha apresente provas do envolvimento de Moscovo na tentativa de ataque.

“É difícil comentar sobre isto, porque se acusações tão sérias estão a ser feitas, precisam ser sustentadas por algo. Se não me engano, nenhum argumento [relativo ao drone] foi apresentado”, afirmou, citado pela agência de notícias russa Vesti.

[De regresso a Portugal, Carvalhão Gil garante que não se vendeu aos russos e que nem sequer sabia que o homem com quem foi detido trabalhava para o SVR. Para ele, era só um “parceiro de negócios”. Mas as buscas às casas do espião contam uma história diferente: a PJ encontra milhares de euros escondidos em casacos, gavetas e envelopes; dezenas de documentos secretos espalhados pelas várias divisões; e até um revólver dissimulado numa estante. Já está disponível o quinto episódio do novo Podcast Plus “A Vida Dupla do Espião Traidor”. Pode ouvir no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no YouTube.]