O Leão de Ouro à carreira que George Clooney vai receber esta noite das mãos de Laura Dern (são amigos e contracenaram juntos há pouco, em Jay Kelly) não foi a única coisa que trouxe o actor e realizador norte-americano a Veneza. Clooney também está na Sereníssima para promover uma produção sua, Furies, história libanesa realizada por Rami Kodeih, e co-produzida com o brasileiro Rodrigo Teixeira. Esse filme será exibido fora de concurso.

Depois de se ter mudado para a Europa com a mulher, Amal Clooney, o “homem que tem tudo no sítio” (como em tempos lhe chamou uma colega nossa de redacção) tem travado gradualmente o passo. Tornou-se mais selectivo nos papéis que interpreta e afastou-se por tempo incerto da realização para ocupar-se dos dois filhos gémeos do casal. A família tem propriedades em França, no Reino Unido, e passa férias em Itália, no Lago Como. A Veneza, Clooney deve imenso e destacou isso mesmo no princípio da tarde desta quarta-feira, à conversa com a imprensa internacional, pois foi aqui, há 21 anos, que Boa Noite, e Boa Sorte foi lançado. Essa segunda longa-metragem tornar-se-ía num dos seus trabalhos de melhor bilheteira.

Filho de um jornalista e marido de uma advogada e activista cuja família também está ligada ao jornalismo, Clooney mostrou-se preocupado com a concentração dos meios de comunicação americanos nas mãos de alguns dos homens mais ricos do mundo. “Eles são actualmente donos do Washington Post, do Twitter e da maioria dos lugares onde obtemos informação. Claro que isso é preocupante”, afirmou. Mas recusou a ideia de que o jornalismo está condenado. Pelo contrário, assinalou a sua mudança constante: “Está sempre a ser posto à prova. Era assim no século XVIII e é assim agora”.

Com a simpatia do costume, respondendo a alguém que lhe perguntou sobre a melancolia da sua personagem em Jay Kelly, respondeu assim: “Tenho 65 anos. Tudo é melancólico… Literalmente. Lavas os dentes e pensas: ‘Os meus dentes costumavam ser muito mais bonitos.’ Mas também me sinto sortudo, tenho uma mulher que me ama, filhos maravilhosos e continuo a poder trabalhar quando quero. Há muitas coisas no mundo que não estão bem e a nossa tendência enquanto seres humanos é concentrarmo-nos nelas. Mas também temos de celebrar as coisas boas da vida.”