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Erupção do super-vulcão Redoubt vista de península de Kenai, no Alasca, 1990

Uma grande erupção vulcânica, uma guerra nuclear ou uma tempestade solar extrema podem desencadear uma crise alimentar mundial praticamente sem aviso. E ninguém está preparado para um cenário desses.

Hoje, os governos continuam a avaliar estes riscos de forma insuficiente e sem planos adequados para garantir o abastecimento de alimentos, defende uma análise sobre a vulnerabilidade das sociedades modernas a acontecimentos catastróficos citada em artigo da Live Science.

Um dos cenários imaginados seria uma erupção vulcânica de grande dimensão no Sudeste Asiático. As cinzas destruiriam inicialmente colheitas nas proximidades, mas o impacto poderia rapidamente tornar-se global. O dióxido de enxofre lançado na atmosfera formaria partículas capazes de refletir a luz solar, reduzindo as temperaturas durante meses.

Foi o que aconteceu, em menor escala, após a erupção do Tambora, na Indonésia, em 1815, que deu origem ao chamado “ano sem verão”. Com base em registos preservados no gelo, os vulcanólogos estimam que existe aproximadamente uma hipótese em seis de ocorrer neste século uma erupção de magnitude semelhante.

Há outros riscos. Uma tempestade solar comparável ao Evento Carrington, de 1859, poderá ter entre 1% e 12% de probabilidade de ocorrer em cada década e poderia afetar redes elétricas à escala continental. Ao mesmo tempo, a existência de vários Estados com armas nucleares envolvidos regularmente em conflitos mantém presente o risco de uma guerra atómica.

Embora cada cenário tenha uma probabilidade reduzida quando analisado isoladamente, o conjunto aumenta a possibilidade de uma grande catástrofe durante este século.

O principal ponto em comum é o impacto sobre a alimentação. Uma erupção extrema, os incêndios provocados por uma guerra nuclear ou o impacto de um grande asteroide poderiam lançar partículas para as camadas superiores da atmosfera, bloquear parte da luz solar e criar períodos de cultivo mais frios e secos. Nos cenários mais graves de guerra nuclear, alguns estudos estimam que a produção global de calorias poderia cair cerca de 90%.

Um apagão prolongado teria efeitos diferentes, mas igualmente graves. Sem eletricidade e transportes, faltariam combustíveis, fertilizantes e pesticidas, atingindo sobretudo as regiões agrícolas mais produtivas.

Mesmo países considerados avançados na análise de riscos continuam longe de contemplar acontecimentos desta escala. O Reino Unido inclui no seu National Risk Register fenómenos como erupções vulcânicas, meteorologia espacial extrema, pandemias e acidentes nucleares, mas os piores cenários analisados ficam muito abaixo de uma fome mundial capaz de causar dezenas de milhões de mortes. A Suíça considera tempestades solares, erupções no estrangeiro e impactos de meteoritos, embora também utilize cenários relativamente limitados.

A preparação exigiria, claro está, cooperação internacional. Países com maior autossuficiência alimentar, instituições sólidas, produção descentralizada e algum isolamento geográfico terão maior capacidade de resistência. A Austrália aparece entre os mais bem posicionados, embora também dependa de importações de combustível, medicamentos e fertilizantes.

Os autores defendem sobretudo três medidas: incluir catástrofes globais nas avaliações nacionais de risco, estabelecer antecipadamente regras internacionais para manter o comércio alimentar durante uma crise e financiar projetos-piloto capazes de produzir alimentos com pouca luz solar ou poucos fertilizantes.

A preparação pode também passar por agricultura com menos fatores de produção, redes elétricas descentralizadas e maior diversidade alimentar.

Se se esperar pela catástrofe, alertam, será demasiado tarde: não é possível criar uma nova indústria alimentar no mesmo mês em que as colheitas começam a falhar.