89% das quase 90 mil toneladas de azeite importado pelo Brasil em 2025 veio da União Europeia, a maioria de Portugal
É a resposta ao bloqueio feito pela União Europeia à compra de carnes de bovino e de aves, além do mel, tripas e pescados oriundos do Brasil, que entra em vigor esta quinta-feira, dia 3 de setembro. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), principal entidade sindical de representação e defesa dos interesses dos produtores rurais brasileiros, pediu ao governo medidas em reação ao embargo da carne. Quer ainda uma investigação sobre a qualidade do azeite importado pelo país. Apesar de no documento apresentado pela CNA não estar qualquer menção ao azeite com origem na Europa, sabe-se que 89% das quase 90 mil toneladas importada pelo Brasil em 2025 veio da União Europeia, sendo a maioria originária de Portugal, seguido por Espanha e Itália.
A Confederação solicitou ainda ao Ministério das Relações Exteriores que fosse acionado o Mecanismo de Reequilibro de Concessões para exigir um equilíbrio comercial através de compensações equivalentes. O Brasil é o segundo maior fornecedor de carne bovina da União Europeia, representando uma economia superior a 906 milhões de euros, o que equivalente a 5,86% das receitas obtidas pelo país com as exportações do produto, segundo o Folha de S. Paulo.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne garantiu esta quarta-feira, 2 de setembro, que o Ministério da Agricultura e Pecuária tinha apresentado às autoridades europeias garantias sobre o controlo do uso de antimicrobianos.
Contudo, a Comissão Europeia já tinha avançado na terça-feira, dia 1 de setembro, que os argumentos apresentados pelo país não eram satisfatórios, já que o Brasil não apresentou garantias suficientes sobre o cumprimento das normas. “É oficial: a carne bovina brasileira sai do menu a partir de quinta-feira, na Irlanda e na Europa. A Comissão europeia confirmou-me que questões de segurança alimentar não foram resolvidas”, escreveu o eurodeputado irlandês Ciaran Mulloly nas redes sociais.
Segundo a jornalista Ana Siedschlag, do Exame, portal de notícias económicas do Brasil, a Comissão Europeia e o Brasil continuam a trabalhar para levantar a restrição o mais rápido possível. “As exportações de frango podem ser retomadas em poucas semanas”, caso uma nova avaliação tenha um resultado positivo, enquanto a “carne bovina deve levar mais tempo para voltar ao mercado europeu devido ao ciclo mais longo de produção animal”, explicou a jornalista.
Recorde-se que o Brasil foi retirado de uma lista de países que cumprem as regras da União Europeia em maio deste ano, após uma pressão de produtores europeus depois da assinatura do acordo de livre comércio com países do Mercosul, o bloco económico regional sul-americano. Em causa estava um problema sanitário, já que o país não cumpriu no prazo indicado as regras europeias sobre o uso de antibióticos na criação dos animais.