Julia Stockler entrou em Quem Ama Cuida com a novela já encaminhada e decidiu encarar o desafio acreditando na força de uma personagem com muito a dizer. Em coletiva de imprensa com a presença do NaTelinha, a atriz fala sobre os rumos da trama e relaciona o conflito da personagem, vítima de assédio sexual, com situações de abuso que viveu na realidade.
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“Todas as mulheres já passaram por algum momento de abuso ou de assédio, no trabalho, na rua… Revisitei lugares muito íntimos meus para emprestar à Suely, gatilhos enormes de relações em que você fala uma coisa e o outro, no narcisismo, consegue reverter aquilo, como se você estivesse mentindo”, recorda a atriz.
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Ela conta ter passado por uma série de abusos emocionais. “Fazendo a Suely, percebi que tive um namoro que não foi legal, que fiquei presa por um tempo ali. São coisinhas que a gente ouve, aquela frase que te deixa para baixo, aquela ironia…”
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“Tive um namorado que uma vez chegou para mim e falou assim: ‘A sua gargalhada me irrita’. Isso é uma frase de abuso emocional. Quando você diz a uma mulher que a alegria dela te incomoda, você mata essa mulher. Ali eu deveria ter encerrado, porque ali ele determinou a minha tristeza.”
Julia Stockler

Suely (Julia Stockler) e Adriana (Letícia Colin) em Quem Ama Cuida: parceria feminina – Foto: Globo/Beatriz Damy
Elenco grava cenas do julgamento de Ademir
Na trama que a Globo exibe às 21h, Suely é uma secretária que decide romper o silêncio e denuncia os abusos cometidos pelo advogado Ademir (Dan Stulbach). Ela se torna uma das principais aliadas de Adriana (Letícia Colin) na busca por justiça e na vingança contra o mau-caráter.
Julia Stockler grava nesses dias as cenas de tribunal, com o julgamento de Ademir, que vai ao ar em breve e promete reviravoltas. Ela não dá spoilers do que vem por aí, mas exalta a força de sua personagem, necessária às mulheres que rompem com relacionamentos tóxicos.
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Ela tem recebido mensagens de vítimas de assédio pedindo conselhos nas redes sociais. A resposta é sempre procurar compartilhar as situações com amigas próximas. A parceria entre as mulheres, segundo a artista, é o caminho para que elas possam superar a violência.
Ela destaca: “A Suely só conseguiu [denunciar o assédio] porque Adriana deu apoio incondicional, coragem, criou caminhos para que ela se sentisse confortável. Ela, sozinha, talvez não teria conseguido, mas com uma amiga do lado, dando a mão, ela foi até o fim”.
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“Sabia que essa personagem conversava com mulheres subalternas, em empregos que têm a figura masculina no poder. Vivemos isso o tempo todo, em todos os lugares. Falamos, na Globo, para milhões de mulheres, que é possível sair de um ciclo de abuso e construir uma rede de apoio para que você não se sinta humilhada.”
Julia Stockler

Rog (Marcelo Serrado) e Gisela (Júlia Stockler) em Beleza Fatal: novela fez sucesso no streaming – Foto: Divulgação/HBO Max
Atriz tem histórico de papéis feministas
A violência contra a mulher é um tema presente em outros trabalhos marcantes de Julia Stockler, como no filme A Vida Invisível (2019) e na novela Beleza Fatal (2025), da HBO Max. Nesta, viveu Estela, que desenvolve um transtorno em relação à própria aparência por conta dos abusos do marido, Rog (Marcelo Serrado).
A atriz comenta: “Não gosto de interpretar vítimas, gosto de interpretar mulheres que estão tentando, até o último segundo, sair daquela realidade. Mesmo que esteja em um momento duro, elas buscam a sobrevivência”.
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“Fui muito feliz, na minha trajetória até agora, de conseguir defender personagens femininos muito fortes, que me ajudam a pensar no mundo, que me elevam como pessoa. Como uma feminista, poder defender a Suely, para que ela tenha espaço e voz, é uma das coisas mais brilhantes do meu trabalho.”
Julia Stockler