Equal Earth

O verdadeiro Mapa Mundo — de acordo com o Equal Earth

Assembleia Geral vota esta sexta-feira o projeto liderado pelo Togo, que quer que o Equal Earth substitua o Mercator, criado em 1569.

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) vai votar, esta sexta-feira, uma resolução que propõe o abandono progressivo do tradicional mapa-múndi baseado na projeção de Mercator, substituindo-o por uma representação que mostre de forma mais fiel a verdadeira dimensão de África.

A iniciativa é patrocinada pelo Togo e conta com o apoio dos restantes 54 Estados-membros da União Africana, segundo Robert Dussey, ministro dos Negócios Estrangeiros togolês, citado pelo The Guardian. O governante defende que a questão não é política, mas científica, e que as distorções da projeção de Mercator estão há muito demonstradas.

Criado pelo cartógrafo flamengo Gerardus Mercator em 1569 para facilitar a navegação marítima, este modelo continua a ser amplamente utilizado na educação, na tecnologia e em instituições públicas. No entanto, a forma como projeta a superfície esférica da Terra num plano faz com que as regiões próximas do equador pareçam muito menores, enquanto as áreas situadas em latitudes mais elevadas surgem aumentadas.

Uma das comparações mais conhecidas é a de África com a Gronelândia: nos mapas de Mercator, os dois territórios parecem ter dimensões semelhantes, apesar de o continente africano ser cerca de 14 vezes maior.

Lars H. Rohwedder/Wikimedia Commons

Mapa do Mundo: a projeção de Mercator

A campanha #CorrectTheMap salienta ainda que, na realidade, seria possível colocar dentro de África os Estados Unidos, a China, a Índia, o Japão, o México e grande parte da Europa.

A União Africana apoiou formalmente a campanha em agosto de 2025 e pediu depois ao Togo que liderasse os esforços para levar a questão às Nações Unidas.

A resolução defende a adoção do Equal Earth, um modelo criado em 2018 por uma equipa internacional de cartógrafos e que preserva melhor as proporções reais das áreas. Ao contrário de outras alternativas, procura conciliar maior rigor na representação das dimensões com uma aparência visual familiar.

Equal Earth

O verdadeiro Mapa Mundo — de acordo com o Equal Earth

 

Críticos da projeção de Mercator têm, historicamente, associado as suas distorções a uma visão ocidental do mundo. Alguns ativistas falam mesmo em “colonialismo cartográfico”, e argumentam que a redução visual do Sul Global e o aumento dos países do hemisfério norte contribuíram para reforçar determinadas perceções sobre poder e importância geopolítica.

As resoluções da Assembleia Geral não são juridicamente vinculativas, mas uma aprovação poderá incentivar mudanças em currículos escolares, plataformas tecnológicas e outras utilizações quotidianas de mapas.

O Governo togolês já planeia organizar em Lomé, no primeiro trimestre do próximo ano, um encontro com a UNESCO, a União Africana e empresas tecnológicas, incluindo a Google Maps, para discutir a aplicação prática da eventual resolução.