Um caso recente partilhado no LinkedIn por um especialista em cibersegurança, encontrado através do motor de pesquisa Shodan, voltou a expor os riscos de câmaras domésticas mal configuradas. Conheça os passos essenciais para proteger a sua rede.

Uma imagem tem estado a circular no LinkedIn e a gerar discussão entre a comunidade de cibersegurança portuguesa. Sérgio Silva, CEO da CyberS3c, uma empresa especializada em cibersegurança, encontrou a imagem numa pesquisa no Shodan e mostra o interior de uma casa, em Portugal, com uma transmissão em direto por uma câmara IP, aparentemente sem qualquer proteção associada.

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Recordamos que o Shodan não é uma ferramenta de “hacking”, mas sim um motor de pesquisa, mas que em vez de indexar páginas web como o Google, cataloga equipamentos ligados à Internet. Estamos a falar em equipamentos como routers, servidores, sistemas industriais e, com alguma frequência, câmaras de vigilância IP. Para aceder às mesmas não precisa de invadir nada, uma vez que o Shodan mostra tudo aquilo que já está publicamente acessível, muitas vezes sem o conhecimento do dono do equipamento.

Este caso ilustra um problema comum e muitas vezes ignorado pelos utilizadores. Um dispositivo comprado para aumentar a segurança de uma casa pode, ao ser mal configurado, transformar-se numa fonte de exposição da privacidade de quem lá vive. Como resume Sérgio Silva na publicação, “quem consegue ver isto além de mim?” é a pergunta que vale a pena fazer antes de instalar qualquer câmara, campainha inteligente ou outro dispositivo IoT em casa.

Como proteger a sua câmara e a sua rede doméstica?

  • Mude a palavra-passe de fábrica
  • Mantenha o firmware e a aplicação atualizados
  • Evite expor a câmara diretamente à Internet
  • Separe os dispositivos inteligentes da rede principal

1. Mude a palavra-passe de fábrica

É o erro mais comum e o mais fácil de corrigir. As credenciais predefinidas de cada marca e modelo estão facilmente disponíveis online, e são a primeira coisa que ferramentas automatizadas experimentam. Defina uma password única e complexa logo na primeira configuração.

2. Mantenha o firmware e a aplicação atualizados

Os fabricantes lançam regularmente correções de segurança. Ative as atualizações automáticas sempre que o dispositivo o permitir, ou verifique manualmente com regularidade.

3. Desative o UPnP e o acesso remoto desnecessário

O UPnP (Universal Plug and Play) facilita a configuração de dispositivos, mas também pode abrir portas do router para a Internet sem que o utilizador se aperceba. Desative-o no router, salvo se souber exatamente porque precisa dele ligado, e desligue funcionalidades de acesso remoto que não utiliza.

4. Evite expor a câmara diretamente à Internet

Sempre que possível, evite configurar redirecionamento de portas (“port forwarding”) para aceder à câmara remotamente, utilizando uma ligação à internet. É precisamente essa exposição direta que ferramentas como o Shodan conseguem detetar.

5. Use uma VPN para acesso remoto

Se precisar mesmo de aceder às imagens remotamente, o caminho mais seguro será utilizando uma VPN, em vez de abrir o dispositivo diretamente à Internet.

6. Separe os dispositivos inteligentes da rede principal

A maioria dos routers atuais permite criar uma rede Wi-Fi “convidados” ou uma VLAN dedicada. Ligar câmaras, campainhas e outros gadgets IoT a essa rede separada limita os danos caso um desses dispositivos seja comprometido. Desta forma, o alegado atacante não ganhará acesso direto aos restantes computadores e dispositivos da casa.

O How To TeK é a rubrica do TEK Notícias que pretende ajudar todos os utilizadores em tarefas simples (mas que parecem complexas) na utilização de computadores e telemóveis. Se tiver sugestões de truques que quer ver esclarecidos envie um email para redacao@teknoticias.pt.

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